08/03/2010

POEMA: "Mulher da Vida"

Poesia dedicada, por Coralina, ao Ano Internacional da Mulher em 1975

Mulher da Vida, minha Irmã.

De todos os tempos.
De todos os povos.
De todas as latitudes.
Ela vem do fundo imemorial das idades e
carrega a carga pesada dos mais
torpes sinônimos,
apelidos e apodos:
Mulher da zona,
Mulher da rua,
Mulher perdida,
Mulher à-toa.

Mulher da Vida, minha irmã.

Pisadas, espezinhadas, ameaçadas.
Desprotegidas e exploradas.
Ignoradas da Lei, da Justiça e do Direito.
Necessárias fisiologicamente.
Indestrutíveis.
Sobreviventes.
Possuídas e infamadas sempre por
aqueles que um dia as lançaram na vida.
Marcadas. Contaminadas,
Escorchadas. Discriminadas.

Nenhum direito lhes assiste.
Nenhum estatuto ou norma as protege.
Sobrevivem como erva cativa dos caminhos,
pisadas, maltratadas e renascidas.

Flor sombria, sementeira espinhal
gerada nos viveiros da miséria, da
pobreza e do abandono,
enraizada em todos os quadrantes da Terra.

Um dia, numa cidade longínqua, essa
mulher corria perseguida pelos homens que
a tinham maculado. Aflita, ouvindo o
tropel dos perseguidores e o sibilo das pedras,
ela encontrou-se com a Justiça.

A Justiça estendeu sua destra poderosa e
lançou o repto milenar:
“Aquele que estiver sem pecado
atire a primeira pedra”.

As pedras caíram
e os cobradores deram s costas.

O Justo falou então a palavra de eqüidade:
“Ninguém te condenou, mulher...
nem eu te condeno”.

A Justiça pesou a falta pelo peso
do sacrifício e este excedeu àquela.
Vilipendiada, esmagada.
Possuída e enxovalhada,
ela é a muralha que há milênios detém
as urgências brutais do homem para que
na sociedade possam coexistir a inocência,
a castidade e a virtude.

Na fragilidade de sua carne maculada
esbarra a exigência impiedosa do macho.

Sem cobertura de leis
e sem proteção legal,
ela atravessa a vida ultrajada
e imprescindível, pisoteada, explorada,
nem a sociedade a dispensa
nem lhe reconhece direitos
nem lhe dá proteção.
E quem já alcançou o ideal dessa mulher,
que um homem a tome pela mão,
a levante, e diga: minha companheira.

Mulher da Vida, minha irmã.

No fim dos tempos.
No dia da Grande Justiça
do Grande Juiz.
Serás remida e lavada
de toda condenação.

E o juiz da Grande Justiça
a vestirá de branco em
novo batismo de purificação.
Limpará as máculas de sua vida
humilhada e sacrificada
para que a Família Humana
possa subsistir sempre,
estrutura sólida e indestrurível
da sociedade,
de todos os povos,
de todos os tempos.

Mulher da Vida, minha irmã.

Declarou-lhe Jesus: “Em verdade vos digo que publicanos e meretrizes vos precedem no Reino de Deus”.
Evangelho de São Mateus 21, ver.31.

06/03/2010

Existe um lugar chamado Brejo do Cajueiro

Comunidade está encravada entre cinco municípios do Baixo São Francisco
Por Claudomir Tavares | claudomir@tribunadapraia.net

Os nossos finais de semana tem se revezado entre algumas comunidades rurais de Pirambu, Barra dos Coqueiros, Santo Amaro das Brotas, Japaratuba, Amparo do São Francisco e Propriá, além de outras comunidades que sempre estamos adicionando ao nosso roteiro. Acreditando que, “quanto mais você canta sua aldeia, mais será universal”, como afirmava Fernando Pessoa, procuramos conhecer o mundo sem retirar os pés dos locais que nos revigoram.

Assim, neste final de semana, visitamos o povoado Brejo do Cajueiro, distante 10 km da sede do município, Propriá. Temos feito isso com uma certa freqüência, pois é lá que reside uma de minhas sogras (calma, não pense outra coisa, é que minha esposa, Izabel, tem duas mães – a outra é a tia que reside no povoado São Miguel, também em Propriá). Brejo do Cajueiro, que apesar de pequeno, com menos de 50 casas, ainda está constituído pelo Alto, pela Estiva e pelo Brejo. Ali próximo está a ‘Rocinha’, uma comunidade já no município de São Francisco.

O povoado propriaense está encravado entre os municípios de Propriá, Neópolis, Japoatã, São Francisco e Cedro de São João. Apesar de pertencer a Propriá, seus cerca de 200 habitantes tem uma identidade maior com o município de São Francisco, sendo muitos destes eleitores da cidade que tem como prefeito Ailton Nascimento (PDT). Outros permanecem vinculados a Propriá para preservar alguns benefícios sociais que condicionam esta ligação.

Moradores afirmam que o povoado recebe pouca atenção do poder público de Propriá, não chega a ser visitado nem em épocas de eleições e por isso os moradores recorrem a São Francisco, afirmação confirmada pelo prefeito Ailton Nascimento (e era assim também na administração do antecessor Altamiro Nascimento) em entrevista ao programa Jornal da Ilha, levado ao ar no último sábado, das 07 às 09 horas e apresentado pelo radialista Eugênio Santana.

Cercado por muito verde em todos os lados, tendo uma estrada que corta o povoado ligando-o a São Miguel no sentido Oeste e no sentido Leste a rodovia Propriá-Japoatã, um riacho segue paralelo a estrada. Foi lá, que no terreno de nossos amigos Zé Augusto e Ana Vilar, tomamos um delicioso banho, acompanhado de meu garoto João Victor e de nossa sobrinha Letícia Caroline. De sobra, nos deliciamos com manga tirada na hora e saboreamos guloseimas preparadas na casa de minha sogra.

Seria egoísmo de nossa parte, não relatar este fim de semana, e que na simplicidade, reside a grandeza do que a natureza nos propiciou.

O lixo nosso de cada dia

* Daniel Campos


Para os apaixonados, a unidade de classes se dá única e exclusivamente no amor. Para os revolucionários, na luta. Para os céticos, na morte.

Para além dessas linhas de pensamento está a de que somos todos iguais no lixo.

Dizem que uma das melhores formas de se conhecer uma pessoa é examinar seu lixo.

Pode parecer desagradável, mas os materiais que compõem o lixo e a forma como ele é organizado revelam muito sobre seu dono.

De maneira gradativa, na lixeira de casa, no contêiner do condomínio, no caminhão de lixo e nos aterros sanitários as identidades se misturam.

Independentemente de posição social, crença, origem, idade... tudo e todos se encontram no lixo que decompõe parte de nossa história.

São sobras de refeições, contas vencidas, notícias caducas, cartas rasgadas, embalagens vazias, roupas desbotadas...

São inúmeras cores, cheiros e sabores se misturando sem preconceitos ou pudores.

Pensando nisso, dever-nos-íamos dar mais valor ao lixo nosso de cada dia.

Nossa produção de resíduos é tão vertiginosa quanto nosso consumismo. Em média, um ser humano produz cinco quilos de lixo por semana.

É comum pensar que o lixo não é um problema nosso, afinal é papel do Estado manter a cidade limpa. Cobram-se, inclusive, impostos por isso, não é?

Esse raciocínio simplista tem transformado a vida refugada em um dos mais graves problemas sociais da atualidade.

As enchentes de verão atestam a estimativa de que pelo menos 30% do lixo brasileiro ficam espalhados pelas ruas das grandes cidades.

Quase 90% das mais de 240 mil toneladas de lixo produzidas por dia no Brasil são jogadas a céu aberto.

Para agravar a situação, a miséria e a falta de oportunidades levam pessoas a viverem no entorno desses lixões, comendo e vendendo o que ainda pode ser aproveitado.

Recentemente, uma menina de 15 anos morreu depois de ter sido atropelada por um trator no lixão da Estrutural, que fica a 10 quilômetros do centro de Brasília.

O lixo cresce como reflexo de uma sociedade não adepta a uma série de práticas como redução, reciclagem e reutilização.

Como remete à sujeira, ao fedor e à tragédia humana, o tema em questão é visto e tratado pelos políticos como uma coisa menor que não rende mídia e voto.

Não é à toa que a reciclagem no Brasil representa somente 2% do total do lixo gerado.

Embora os dejetos variem de acordo com as características econômicas, sociais e culturais de quem o produz, vivemos no mesmo planeta.
É esse fato que faz com que o lixo obrigatoriamente nos una.
_____________________________________
* É poeta, escritor, jornalista pós-graduado em Comunicação Criativa pela ABJL e autor do portal de poesia e literatura www.danielcampos.biz

Pirambu e Frei Paulo na mira da CGU


Os municípios de Pirambu e Frei Paulo serão fiscalizados por auditores da Controladoria-Geral da União (CGU). Os municípios sergipanos – junto com mais outros 59 de todo o país – foram escolhidos a partir de sorteio, ocorrido em Brasília, no auditório da Caixa Econômica Federal. No caso de Frei Paulo, ele figura na lista de áreas municipais que receberão fiscalização especial do órgão.

Nos dois municípios, que têm população inferior a 20 mil habitantes, a fiscalização vai alcançar a totalidade dos recursos repassados pelo governo federal para os mais diversos investimentos.

Desde o lançamento do Programa, em abril de 2003, já foram sorteados 1.701 municípios (incluídos aí os que foram sorteados mais de uma vez) e os recursos fiscalizados nesses municípios totalizam R$ 11 bilhões.

As várias fomes de Marina

Por José Bessa Freire *


“Ai, meu Deus!/ O que foi que aconteceu/ Com a música popular brasileira”?

Há pouco, Caetano Veloso descartou do seu horizonte eleitoral o presidente Lula da Silva, justificando: “Lula é analfabeto”. Por isso, o cantor baiano aderiu à candidatura da senadora Marina da Silva, que tem diploma universitário. Agora, vem a roqueira Rita Lee dizendo que nem assim vota em Marina para presidente, “porque ela tem cara de quem está com fome”.

Os Silva não têm saída: se correr o Caetano pega, se ficar a Rita come.

Tais declarações são espantosas, porque foram feitas não por pistoleiros truculentos, mas por dois artistas refinados, sensíveis e contestadores, cujas músicas nos embalam e nos ajudam a compreender a aventura da existência humana. Num país dominado durante cinco séculos por bacharéis cevados, roliços e enxudiosos, eles naturalizaram o canudo de papel e a banha como requisitos indispensáveis ao exercício de governar, para o qual os Silva, por serem iletrados e subnutridos, estariam despreparados.

Caetano Veloso e Rita Lee foram levianos, deselegantes e preconceituosos. Ofenderam o povo brasileiro, que abriga, afinal, uma multidão de silvas famélicos e desescolarizados. De um lado, reforçam a idéia burra e cartorial de que o saber só existe se for sacramentado pela escola e que tal saber é condição sine qua non para o exercício do poder. De outro, pecam querendo nos fazer acreditar que quem está com fome carece de qualidades para o exercício da representação política. A rainha do rock, debochada, irreverente e crítica, a quem todos admiramos, dessa vez pisou na bola. Feio.

“Venenosa! Êh êh êh êh êh!/ Erva venenosa, êh êh êh êh êh!/ É pior do que cobra cascavel/ O seu veneno é cruel…/ Deus do céu!/ Como ela é maldosa!”.

Nenhum dos dois - nem Caetano, nem Rita - têm tutano para entender esse Brasil profundo que os silvas representam.

A senadora Marina da Silva tem mesmo cara de quem está com fome? Ou se trata de um preconceito de roqueira, que só vê desnutrição ali onde nós vemos uma beleza frágil e sofrida de Frida Kahlo, com seu cabelo amarrado em um coque, seus vestidos longos e seu inevitável xale? Talvez Rita Lee tenha razão em ver fome na cara de Marina, mas se trata de uma fome plural, cuja geografia precisa ser delineada. Se for fome, é fome de quê?

: O mapa da fome:

A primeira fome de Marina é, efetivamente, fome de comida, fome que roeu sua infância de menina seringueira, quando comeu a macaxeira que o capiroto ralou. Traz em seu rosto as marcas da pobreza, de uma fome crônica que nasceu com ela na colocação de Breu Velho, dentro do Seringal Bagaço, no Acre.

Órfã da mãe ainda menina, acordava de madrugada, andava quilômetros para cortar seringa, fazia roça, remava, carregava água, pescava e até caçava. Três de seus irmãos não agüentaram e acabaram aumentando o alto índice de mortalidade infantil.

Com seus 53 quilos atuais, a segunda fome de Marina é dos alimentos que, mesmo agora, com salário de senadora, não pode usufruir: carne vermelha, frutos do mar, lactose, condimentos e uma longa lista de uma rigorosa dieta prescrita pelos médicos, em razão de doenças contraídas quando cortava seringa no meio da floresta. Aos seis anos, ela teve o sangue contaminado por mercúrio. Contraiu cinco malárias, três hepatites e uma leishmaniose.

A fome de conhecimentos é a terceira fome de Marina. Não havia escolas no seringal. Ela adquiriu os saberes da floresta através da experiência e do mundo mágico da oralidade. Quando contraiu hepatite, aos 16 anos, foi para a cidade em busca de tratamento médico e aí mitigou o apetite por novos saberes nas aulas do Mobral e no curso de Educação Integrada, onde aprendeu a ler e escrever.

Fez os supletivos de 1º e 2º graus e depois o vestibular para o Curso de História da Universidade Federal do Acre, trabalhando como empregada doméstica, lavando roupa, cozinhando, faxinando.

Fome e sede de justiça: essa é sua quarta fome. Para saciá-la, militou nas Comunidades Eclesiais de Base, na associação de moradores de seu bairro, no movimento estudantil e sindical. Junto com Chico Mendes, fundou a CUT no Acre e depois ajudou a construir o PT. Exerceu dois mandatos de vereadora em Rio Branco, quando devolveu o dinheiro das mordomias legais, mas escandalosas, forçando os demais vereadores a fazerem o mesmo. Elegeu-se deputada estadual e depois senadora, também por dois mandatos, defendendo os índios, os trabalhadores rurais e os povos da floresta.

Quem viveu da floresta, não quer que a floresta morra. A cidadania ambiental faz parte da sua quinta fome. Ministra do Meio Ambiente, ela criou o Serviço Florestal Brasileiro e o Fundo de Desenvolvimento para gerir as florestas e estimular o manejo florestal. Combateu, através do Ibama, as atividades predatórias. Reduziu, em três anos, o desmatamento da Amazônia de 57%, com a apreensão de um milhão de metros cúbicos de madeira, prisão de mais 700 criminosos ambientais, desmonte de mais de 1,5 mil empresas ilegais e inibição de 37 mil propriedades de grilagem.

:: Tudo vira bosta:

Esse é o retrato das fomes de Marina da Silva que -na voz de Rita Lee- a descredencia para o exercício da presidência da República porque, no frigir dos ovos, “o ovo frito, o caviar e o cozido/ a buchada e o cabrito/ o cinzento e o colorido/ a ditadura e o oprimido/ o prometido e não cumprido/ e o programa do partido: tudo vira bosta”.

Lendo a declaração da roqueira, é o caso de devolver-lhe a letra de outra música - ‘Se Manca’ - dizendo a ela: “Nem sou Lacan/ pra te botar no divã/ e ouvir sua merda/ Se manca, neném!/ Gente mala a gente trata com desdém/ Se manca, neném/ Não vem se achando bacana/ você é babaca”.

Rita Lee é babaca? Claro que não, mas certamente cometeu uma babaquice. Numa de suas músicas - ‘Você vem’ - ela faz autocrítica antecipada, confessando: “Não entendo de política/ Juro que o Brasil não é mais chanchada/ Você vem….e faz piada”. Como ela é mutante, esperamos que faça um gesto grandioso, um pedido de desculpas dirigido ao povo brasileiro, cantando: “Desculpe o auê/ Eu não queria magoar você”.

A mesma bala do preconceito disparada contra Marina atingiu também a ministra Dilma Rousseff, em quem Rita Lee também não vota porque, “ela tem cara de professora de matemática e mete medo”. Ah, Rita Lee conseguiu o milagre de tornar a ministra Dilma menos antipática! Não usaria essa imagem, se tivesse aprendido elevar uma fração a uma potência, em Manaus, com a professora Mercedes Ponce de Leão, tão fofinha, ou com a nega Nathércia Menezes, tão altaneira.

Deixa ver se eu entendi direito: Marina não serve porque tem cara de fome. Dilma, porque mete mais medo que um exército de logaritmos, catetos, hipotenusas, senos e co-senos. Serra, todos nós sabemos, tem cara de vampiro. Sobra quem?

Se for para votar em quem tem cara de quem comeu (e gostou), vamos ressuscitar, então, Paulo Salim Maluf ou Collor de Mello, que exalam saúde por todos os dentes. Ou o Sarney, untuoso, com sua cara de ratazana bigoduda. Por que não chamar o José Roberto Arruda, dono de um apetite voraz e de cuecões multi-bolsos? Como diriam os franceses, “il péte de santé”. O banqueiro Daniel Dantas, bem escanhoado e já desalgemado, tem cara de quem se alimenta bem. Essa é a elite bem nutrida do Brasil.

Rita Lee não se enganou: Marina tem a cara de fome do Brasil, mas isso não é motivo para deixar de votar nela, porque essa é também a cara da resistência, da luta da inteligência contra a brutalidade, do milagre da sobrevivência, o que lhe dá autoridade e a credencia para o exercício de liderança em nosso país.

Marina Silva, a cara da fome? Esse é um argumento convincente para votar nela. Se eu tinha alguma dúvida, Rita Lee me convenceu definitivamente.

P.S.: Uma leitora cricri, mas competente, que está fazendo doutorado em São Paulo (e a tese, quando é que sai?) me lembra que a FAPEAM e a Secretaria de Ciência e Tecnologia do Amazonas constituem o lado sério da atual política estadual, responsável, em 2007, pela primeira lei de mudanças climáticas no Brasil.
_____________________________
* O professor José Ribamar Bessa Freire coordena o Programa de Estudos dos Povos Indígenas (UERJ), pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Memória Social (UNIRIO)

Direito à Educação

No próximo dia 8, segunda-feira, os mandatos democráticos populares dos deputados federal Iran Barbosa e estadual, Ana Lucia PT, promovem a Reunião do Comitê Estadual da Campanha pelo Direito à Educação, no auditório da Escola do Legislativo (Pça. Fausto Cardoso), em Aracaju. O evento acontece das 8h às 12h e conta com presença da professora Denise Carrara, membro da Ação Educativa, e Daniel Cara, coordenador geral da campanha.

SERVIÇO:

O quê: Reunião do Comitê Estadual da Campanha pelo Direito à Educação

Quando: 8/3, segunda-feira, 08h-12h

Onde: auditório da Escola do Legislativo (Pça. Fausto Cardoso), em Aracaju.

Para maiores informações: (79) 3216.6708 ou (79) 3216.6625

Arte na Caatinga invade São José, em Japaratuba

Por Elton Coelho | ecoelhojornalista@gmail.com

Além de comemorar a Festa das Cabacinhas nos dias 12, 13 e 14 de março, o maior povoado de Japaratuba - São José - abrirá espaço de sua programação para as louvações religiosas e também para reverenciar a cultura local e regional.

Por meio do 2º Festival Artes na Caatinga, numa referência ao nome "São José da Caatinga", o município estará exigindo durante três dias - 17, 18 e 19 de março - várias atrações com participação das manifestações culturais como guerreiro, teatro, dança, folclore, reisado e pífanos.

De acordo com Guilherme Melo, secretário de Cultura e Turismo do município, o festival ocorrerá privilegiando a participação de grupos genuinamente sergipanos, locais e de toda região do Vale do Japaratuba.

As atrações se apresentarão durante os três dias nas ruas do povoado e em um palanque armado próximo a igreja de São José. Já no dia 19 de março acontece o ápice da festa religiosa, com a realização da tradicional procissão em louvor ao santo que nomina a localidade.

Confira a programação elaborada pela prefeitura de Japaratuba, com apoio da comunidade e da Câmara de Vereadores:

17/03

20h30 Guerreiro do Erundino

Teatro Canudos em Movimento

Grupo de Dança Mulambu's

Reisado de São José

Banda "O Cofre"

18/03

20h30 Grupo de Dança Pequenos Talentos

Grupo de Dança Tropical Dance

Grupo Folclórico São João na Roça

Guerreiro Treme Terra de Zé de Jove

Banda Nativos da MPB

19/03

20h30 Pífanos Zabumba da Missão

Cia de Teatro Rebiboca da Parafuzeta

Grupo de Dança Loucuras do Forró

Reisado de Sabáu

Banda Swingart

TAC garantrá regularização da situação de servidores municipais de Pirambu


A Promotoria de Justiça de Pirambu, através do Dr. Nilzir Soares Vieira Júnior, celebrou novo Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o referido Município para que regularize a situação dos guarda-vidas, agentes de saúde e endemias, em greve desde novembro de 2009. Eles reivindicam, dentre outras coisas, o fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), protetores solares e a realização de uma capacitação, visto que a última ocorreu há 19 anos atrás.

A praia de Pirambu, conhecida pela força das águas e pela incidência de buracos, continua a fazer vítimas. Lá, já se tornaram constantes os casos de afogamento, o que torna ainda mais indispensável a presença dos salva-vidas. Eles deverão voltar às suas atividades normais, assim como todos os outros grevistas, neste mês de março. O Município de Pirambu, por sua vez, deverá repor o desconto efetuado sobre a remuneração dos servidores grevistas, em uma única parcela, a ser quitada até o dia 31 de março de 2010.

Ainda conforme as cláusulas do novo TAC, o Município de Pirambu deverá incluir nas folhas de pagamento do funcionalismo municipal, adicional de insalubridade ou periculosidade, em percentuais definidos em perícia técnica, além de fornecer equipamentos de proteção individual (EPIs), no prazo de 120 dias. Além disso, o Município também deverá fornecer protetores solares, essenciais para o trabalho dos servidores municipais, sem prejuízo da sua saúde.

Outro assunto incluso no TAC foi o da necessidade de reajuste dos salários dos agentes comunitários de saúde ou equiparação da remuneração dos agentes de endemias aos daqueles, em razão da elevação nos repasses realizados pelo Governo Federal (de 581,00, para R$651,00). Para discutir o assunto, uma mesa de negociação será realizada com integrantes da Secretaria Municipal da Saúde, Procuradoria do Município e Sindicato, na segunda semana de março, em data a ser agendada.

Segundo o Promotor de Justiça, o Corpo de Bombeiros de Sergipe será oficiado para que promova curso de formação para os servidores guarda-vidas do Município de Pirambu, conforme já solicitado pelo Município. As informações sobre o atendimento desta solicitação deverão ser enviadas ao Ministério Público no prazo de dez dias.

Dia a dia de professores de Sergipe vira filme

Sintese financia obra que aborda diversos aspectos da vida dos docentes que atuam no Estado de Sergipe

Quatro professoras de Sergipe foram acompanhadas por equipes de filmagem e o resultado deste trabalho virou um longa-metragem intitulado ‘Carregadoras de Sonho’. Aspectos do transporte e alimentação das docentes e as condições físicas, didáticas e pedagógicas das escolas são retratadas de “forma poética” nesta obra, conta o diretor do filme Deivison Fiúza.

“Não é a denúncia pela denúncia. Fazemos a denúncia do sistema, da forma como a educação é tratada, do descaso, mas de forma poética, de forma lírica”, ressalta Fiúza. Ele acrescenta ainda que o público deverá se surpreender com a obra.

“A sociedade vai ter uma surpresa. Por se tratar de uma obra financiada por um sindicato vai existir um certo preconceito, mas as pessoas verão que se trata de uma idealização errônea. O filme não é panfletário, a palavra sindicato sequer existe e não abordamos em nenhum momento a questão da militância”, destaca.

O diretor baiano contou com uma equipe composta totalmente por sergipanos para a produção do filme, iniciativa do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Sergipe (Sintese). As gravações ocorreram entre setembro e dezembro de 2009. Já as personagens principais foram vividas por quatro professoras selecionadas de um grupo de mil profissionais que atuam no ensino público de Sergipe.

As quatro personagens – Marta, Edilema, Maraísa e Rose - atuaram com o objetivo de levar para a tela o cotidiano de cada uma. A exemplo de Marta que percorre 800km por semana em cima de uma motocicleta, passando por riachos e estradas em péssimas condições de tráfego. Realidades como essa estão retratadas no filme.

“É um documentário, mas que foi trabalhado com as técnicas do cinema de ficção. É tudo real, mas a estrutura não é a de um documentário tradicional", explica o diretor. “O documentário está acostumado a registrar sem produção nenhuma, mas nesse caso fizemos uma produção mais refinada, é um filme trabalhado”, conta.

A idéia

A iniciativa do Sintese partiu de uma pesquisa que revelou vários aspectos da vida dos professores que atuam no Estado. Segundo Roberto Silva Santos, Diretor de Comunicação do Sindicato, a idéia inicial era fazer um documentário sobre as condições de alimentação desses trabalhadores. “Mas depois que lemos os resultados vimos que tinham outros elementos que deviam ser abordados”, explica.

De acordo com Roberto, após o lançamento o Sintese pretende fazer a exibição do filme em todos os municípios. Também já estão agendados lançamentos em Brasília, no auditório do MEC, e em universidades de São Paulo e Rio de Janeiro. Além disso, 'Carregadoras de Sonhos’ deve participar de diversos festivais de cinema nacionais e internacionais.

“Pretendemos levar esse filme para o mundo. Entendemos que em qualquer parte do mundo todos os professores vão ser ver no filme. Vai ter uma repercussão muito boa”, aposta Roberto. Para o diretor Deivison Fiúza, a vida dessas professoras representadas no filme “representa a continuação da esperança. Pode não parecer, mas elas fazem silenciosamente o trabalho de transformação social”.

O filme, produzido pelo Sintese com apoio do gabinete dos deputados Iran Barbosa e Ana Lúcia, será lançado oficialmente para os professores e convidados, entre eles diversas autoridades, na próxima segunda-feira, 8, no Teatro Tobias e no auditório do CIC. Mas na noite desta quarta-feira, 3, haverá exibição para a imprensa e familiares das quatro professoras que protagonizaram a obra.

Debate sobre o ensino médio reúne professores, gestores e sindicatos


Professores, sindicalistas, estudantes de Pedagogia e representantes da Secretaria de Estado da Educação (SEED) participaram, na última sexta-feira (26/2), no auditório do Tribunal de Justiça de Sergipe, do debate “Ensino Médio Inovador”, promovido pelos mandatos do deputado federal Iran Barbosa e da deputada estadual Ana Lucia, ambos do PT. Para debater o tema, Iran e Ana Lucia trouxeram o diretor de Concepções e Orientações Curriculares para a Educação Básica da Secretaria de Educação Básica do MEC, professor Carlos Artexes Simões.

Também participaram da discussão o presidente do SINTESE, Joel Almeida, o Secretário de Juventude da CUT-SE, Roberto Silva, e a diretora do Departamento de Educação (DED) da SEED, Izabel Ladeira. Na rede Estadual de ensino de Sergipe, 17 escolas já adotaram o Ensino Médio Inovador.

Em sua explanação, o professor Carlos Artexes destacou que uma das centralidades da política de educação do Governo Federal é a questão curricular, e a tarefa do MEC é pautar o currículo no Ensino Médio brasileiro nas discussões educacionais. “Entendemos que as políticas públicas devem fortalecer o desenvolvimento curricular nas escolas, sob responsabilidade das escolas e das redes”, disse o professor.

Segundo Artexes, as escolas públicas de Ensino Médio do país precisam mudar a sua cultura e as suas concepções. “Porque ela foi construído como escolas para poucos, tradicionalistas e reprodutora de determinados modelos que precisam hoje ser repensados”, avaliou.

O programa Ensino Médio Inovador, na sua opinião, não traz nenhuma mudança na legislação educacional brasileira. “Na verdade, é um programa de apoio às experiências escolares inovadoras, porque não existe uma escola igual a outra, cada uma tem as suas especificidades, que precisam ser respeitadas e valorizadas”, completou o deiretor do MEC.

Ele esclareceu que o Governo Federal não visa instituir uma escola modelo com o programa Ensino Médio Inovador, mas adequar às escolas existentes, de acordo com suas respectivas culturas, a um padrão moderno de educação.

"O que nos interessa é estimular as escolas que hoje dinamizaram seus processos internos, no sentido de valorizar e possibilitar que essas escolas façam o movimento da cultura escolar no Brasil respeitando não só o sujeito, mas a cultura a qual ele está inserido. E nisso, a diversificação do Ensino Médio é fundamental", explanou Artexes.

Ideias inovadoras - Para o deputado Iran Barbosa, muitas ideias inovadoras acontecem nas escolas públicas de Sergipe sem que se tenha conhecimento ou que o Poder Público contribua mais efetivamente.

“O que pode fazer a diferença é termos a clareza do que nós pretendemos com essas iniciativas inovadoras, com uma visão mais clara de futuro, porque, muitas vezes, mudam-se as formas, mas os velhos programas permanecem e os velhos continuam a ser reproduzidos”, ponderou Iran.

Iran reforçou, ainda, que o caráter do debate foi o de instrumento para socializar entre os educadores da rede estadual de ensino e as próprias escolas as informações sobre o programa.

“Agradeço imensamente a vinda do professor Artexes, que disponibilizou aqui informações importantes que nos ajudaram a compreender melhor a proposta do Governo Federal no tocante ao Ensino Médio Inovador”, disse.

A deputada Ana Lucia enfatizou que o debate possibilitou conhecer mais o programa do Governo Federal e debater o método como ele está sendo implementado nos estados.

"Nos interessou conhecer mais o programa, para não só apoiar a iniciativa, mas buscar cada vez mais reforços para que, de fato, consolide as experiências que venham a resolver o problema do abandono e da repetência no Ensino Médio, e transformar as escolas do ensino Infantil, Fundamental e Médio em escolas de sucesso", afirmou
Ana Lucia.

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