15 de abr de 2008

História de Pirambu


I – Nasce Pirambu

Como os demais municípios localizados entre os rios Sergipe e o São Francisco, Pirambu teve seu território constituído a partir da distribuição da Sesmaria por Cristóvão de Barros ao seu filho, Antônio Cardoso de Barros, em 1590, logo após a conquista de Sergipe, cujo marco se deu em 1575, quando foram derrotados os índios que habitavam a região Sul do Capitania de Sergipe Del Rey..

O litoral de Sergipe era habitado pelos índios tupinambás e caetés, os quais povoaram as terras que mais tarde seriam chamadas de Pirambu, localizada entre a ilha de Santa Luzia e a Ponta dos Mangues, e a região de Ponta dos Mangues, onde seriam edificados os municípios de Barra dos Coqueiros e Pacatuba respectivamente.

Existem muitas explicações sobre a origem do nome de Pirambu. “A mais aceita é que o nome vem de um peixe bastante comum na região...”, (1) o Pirambu, que segundo a ictiologia é um peixe teleóstico, percomorfo, da família dos pamadasídeos, h. plumiere (lac) de cor bronzeada, com listas azuis apenas na cabeça e parte anterior do corpo. Há quem afirme que Pirambu era o nome do cacique de uma tribo que habitou a antiga povoação. (MENDONÇA, 2002: 339).

O povoamento por pescadores se deu na segunda metade do século XIX e “foi inicialmente chamado de Ilha”. (2)

As primeiras casas construídas onde no futuro seria o atual núcleo urbano de Pirambu foram construídas no início do século passado, a base de pau-a-pique e cobertas de palha de coqueiro. Este foi o núcleo que deu origem a atual sede de Pirambu, uma vez que a ocupação era de forma sazonal, a partir da atividade pesqueira, que teve a incorporada nesta nova condição da atividade agrícola, sendo esta a base inicial da economia local. (3)

A atividade comercial era desenvolvida na base da troca, visto que a moeda era algo raro em uma comunidade distante dos centros urbanos, como Aracaju e Japaratuba: “quem tinha farinha, abóbora, trocava por peixe, por camarão”. (4)

A pesca, principal atividade econômica de subsistência era praticada nos rios Japaratuba, Pomonga e em menor volume no Oceano Atlântico. Outra atividade era a caça de animais silvestres, facilmente encontrados na região. (5)

“Foi a partir de 1824, pela iniciativa de Vicente Rodrigues Bastos que, através de ofício, encaminhou uma representação ao Conselho de Governo, para se viabilizar a nevegabilidade dos rios Pomonga e Japaratuba. Muitos anos depois, colaborou na realizaçãodeste projeto, o comendador Antônio José da Silva (...), um santamarense que muito contribuiu para o progresso daquela região, com a abertura do canal do rio Pomonga”. (MENDONÇA, 2002: 341).

O Frei Fabiano, do Convento de Santo Antônio, de Salvador, na Bahia, explorando as terras localizadas entre as barras dos rios Japaratuba ao São Francisco nos primeiros anos do século XIX, encontrou este cenário em Pirambu:

“Cinco casas, duas pertencentes à dona Delmira e três ao Sr. Agostinho Trindade, os primeiros habitantes fixados e consolidados na região. Tínhamos ainda os pescadores Pedro Alexandre, Pedro Bevido, Pedro Maconha, João Francisco do Nascimento e Manuel Demeriano, estes com residências rústicas, típicas daquele momento”. (SILVA, 2001).

As primeiras casas de blocos pertenceram à dona Nedite e seu Durval. (6)

No dia 16 de janeiro de 1860, o Imperador Dom Pedro II visitou o local onde mais tarde seria edificada a comunidade de Pirambu.

“Daí vai até a barra do Japaratuba, onde chegou as 9 horas da manhã. Examinou minuciosamente este lugar, fazendo algumas perguntas sobre a profundidade do rio neste lugar, e o embaraços que existem na saída da barra”. (SANTOS, 2005).

A imensa terra de Pirambu estava concentrada nas mãos de poucos, como Dona Delmira e o Senhor Agostinho Trindade, que logo as vendeu ao Senhor Manoel Gonçalves. (7)

Fruto deste repasse das terras através de venda foi dado um passo importante para a organização da comunidade, a partir do núcleo inicial da principal entidade de trabalhadores de Pirambu:

“Em 1911, porém, as terras tornaram-se a serem vendidas, desta vez a José Amaral Lemos, que instalou ali uma casa de negócio, organizando também, em 30 de novembro daquele ano a Colônia de Pescadores”. (SILVA, 2001).

As manifestações religiosas também davam sinais de organização com a construção da Igrejinha do pequeno povoado:

“Em 11 de abril de 1912 é construída a Igreja da comunidade com a ajuda do Senador Gonçalo Faro Rollemberg, que em 1920 trouxe da França a imagem de Nª Sª de Lourdes, passando a ser a partir daquele momento a nossa padroeira”. (SILVA, 2001).

Como se Pirambu fosse um grande negócio, as terras de Pirambu iam passando de mãos em mãos:

“Após a morte do Sr. José Amaral Lemos, seu filho Walter Amaral vendeu às terras ao Dr. Lourival Bomfim”. (SILVA, 2001).

No final da primeira metade do século XX, o povoado de Pirambu (8) já era o principal pólo turístico de Japaratuba, sendo construídas as primeiras casas de veraneio, que se tornavam uma característica da arquitetura da futura cidade que ganhava esta condição em poucos anos. Um destes veranistas, o advogado Dr. Euzápio Linhares patrocinou a idéia de emancipação política de Pirambu por volta de 1950. (9)

O povoado Porto Grande, em Barra dos Coqueiros entrava em decadência e sua população afluía para o incipiente povoado Canal de são Sebastião, no mesmo município, e para Pirambu, ampliando assim a população do povoado de Japaratuba. Porto Grande chega a extinção no final dos anos 60. Nesta época, Alfredo Mendonça surgia em Pirambu com o primeiro caminhão, sendo este o primeiro veículo de Pirambu. (10)

II – O Processo de Emancipação Política

Um grupo de políticos e lideranças da comunidade incorporou o sentimento da população de ver Pirambu independente politicamente de Japaratuba, levantando a bandeira da emancipação política: Dr. Euzápio Linhares, advogado, liderou um movimento do qual fazia parte o senhor João Dória do Nascimento, vereador de Japaratuba com base em Pirambu e Aguilhadas, Manuel Amaral Lemos, produtor rural, Abelardo do Nascimento, pescador, José Lauro Ferreira, camponês-pescador, Xavier dos Santos e outras personalidades lançaram a pedra fundamental para que Pirambu conquistasse sua independência.

A Lei Estadual Nº 1.234 de 26 de Novembro de 1963, sancionada pelo então governador João de Seixas Dória (PSD) foi fruto de um Projeto apresentado pelo deputado estadual Nivaldo Santos (PSD). O novo município estava estabelecido nos seguintes limites: ao Norte com Pacatuba, ao Sul com Barra dos Coqueiros, a Oeste com Japaratuba e Santo Amaro das Brotas e a Leste com o Oceano Atlântico. “Integravam o novo município os povoados Aguilhadas, Lagoa Redonda, Aningas, Maribondo, Alagamar, Baixa Grande e Santa Izabel”. (11)

O vereador João Dória do Nascimento saiu extremamente fortalecido deste processo, elegendo-se prefeito de Pirambu e tomando posse no dia 28 de agosto de 1965, após o município ter sido instalado em 08 de agosto do mesmo ano. Seu vice-prefeito foi o jovem Juarez Lopes Cruz, filho do então prefeito de Japaratuba Mário Trindade Cruz.

III – 08 de agosto X 26 de novembro:
Da Emancipação Política a Instalação do Município.

A data da Emancipação Política de Pirambu vem sendo comemorada desde 1995 (através de iniciativa de um grupo de professores e alunos da Escola José Amaral Lemos) e a partir de 1997 oficialmente pela prefeitura municipal no dia 08 de agosto, data que deverá ser levada para o dia 26 de novembro a partir de 2004.

O fato é que, por nossa sugestão, a data em que se comemora a Emancipação Política deve ser aquela em que o município foi criado, como de resto ocorre nas demais cidades sergipanas, e não na data da instalação, como comemoramos desde 1995 (oficialmente as comemorações tiveram início a partir de 1997, no primeiro ano de administração André Moura).

O município de Pirambu foi criado em 26 de novembro de 1963, através da Lei Estadual Nº 1.234/63, tendo seu território desmembrado de Japaratuba, a partir de uma propositura apresentada pelo Deputado Estadual Nivaldo Santos e sancionada pelo Governador do Estado João de Seixas Dória.

Por força do Golpe Militar implantado no país em 31 de março de 1964, o município só seria instalado em 08 de agosto de 1995, quando elege seu primeiro Prefeito, vice-Prefeito e vereadores que foram empossados em 28 de agosto do mesmo ano para um mandato que se encerrou em 31 de dezembro de 1966.

Integrava o novo município os povoados Maribondo, Aguilhadas, Lagoa Redonda e Alagamar (os demais conseguiram esta condição anos mais tarde).

Sua padroeira é Nossa Senhora de Lourdes e suas principais atividades econômica são a pesca e a agricultura. Está distante da capital, Aracaju 25 Km pela Rodovia César Franco que liga Pirambu a Barra dos Coqueiros e a 76Km pela Br 101 passando por Japaratuba.

Atualmente Pirambu despertou para o turismo de eventos que movimenta a economia local durante todo o ano.

V – Vida Política e Administrativa:

1. 1965/66 – 1973/77
Os governos de João Dória do Nascimento

João Dória do Nascimento nasceu no dia 20 de dezembro de 1914 na cidade de Japaratuba, há 98 anos. Faleceu em 04 de abril de 2006, em Pirambu. Filho de Maximiniano Futuroso do Nascimento e Enedina da Conceição Dória, casou-se com dona Adalice Ferreira do Nascimento, foi no século passado o maior político da história de Pirambu, pelos cargos que ocupou e pela forte presença na vida política de Pirambu durante toda a sua vida.

João Dória do Nascimento foi aprendiz de marinheiro e subtenente da Marinha Mercante do Brasil, foi presidente da Colônia de Pescadores de Pirambu e vereador no município de Japaratuba quando Pirambu ainda era integrante daquele município. Alcançou a marca inédita de dois mandatos (não sucessivos) e dois mandatos de vice-prefeito. Afastado da política desde 1989, é uma liderança política respeitada, influenciando na eleição de vários prefeitos e, principalmente nos vários mandatos do seu filho, o atual vereador Ivan Biriba Dória.

Durante o seu primeiro mandato de prefeito, João Dória do Nascimento tinha como vice-prefeito o senhor Juarez Lopes Cruz, filho do prefeito de Japaratuba, Mário Trindade Cruz e que mais tarde viria a ser também prefeito de Pirambu. Os vereadores eram Geraldo Almeida, João Pereira do Nascimento, João da Silva, José Alexandre Santos e José Domingos Correia, todos pertencentes a UDN e afinados politicamente com o governador Sebastião Celso de Carvalho (chegou a esta condição por ter sido vice-governador de Seixas Dória, cassado pela ditadura militar e exilado em Fernando de Noronha) e com o presidente Castelo Branco.

No período de 1967 a 1971 João Dória do Nascimento reaparece no cenário político agora como vice-prefeito na gestão do senhor Walter Amaral.

Em 1972, apoiado pelo titular, candidata-se novamente a prefeitura municipal, elegendo-se prefeito para um segundo mandato, tendo como companheiro de chapa o senhor Daniel Luiz dos Santos, o qual recebe o seu apoio quatro anos depois. Seu adversário foi o senhor Lúcio Almeida, liderança política em ascenção no povoado Maribondo. Era a primeira disputa eleitoral entre dois candidatos, rompendo com a tradição de candidato único das três eleições. Foram vereadores neste segundo mandato os senhores: Durval Oliveira dos Santos, Humberto Barreto Peixoto, João Batista Biriba, João Virgílio dos Santos e Nivaldo Alves Moura. Neste período, estavam todos eles filiados a Aliança Renovadora Nacional – ARENA, partido criado pelo regime militar no sistema do bipartidarismo que ainda permitiu um partido de oposição, o MDB, instalado em Sergipe mais que ainda não havia sido criado o diretório de Pirambu.

João Dória volta a disputar um mandato em Pirambu em 1982, o de vice-prefeito na chapa encabeçada pelo odontólogo Marcos Lopes Cruz (PDS), filho do ex-prefeito da cidade de Japaratuba, Mário Trindade Cruz e irmão do ex-vice-prefeito de Pirambu, Juarez Lopes Cruz.

Político de extrema direita, João Dória do Nascimento sempre pertenceu a partidos ligados aos presidentes e governadores de plantão: foi da UDN, da ARENA, do PDS, do PFL e do PSDB (do qual fui fundador e seu primeiro presidente). Apesar disso, foi um político respeitado por todas as matizes ideológicas, inclusive convivendo com elas nas várias eleições que esteve junto nestes mais de 40 anos de intensa atividade política.

Nos seus dois mandatos de prefeito de Pirambu, João Dória do Nascimento destaca como suas principais obras as seguintes:

· Construção de escolas nos povoados Maribondo e Aguilhadas;
· Construção da estrada que liga Pirambu a Aguilhadas, refeita no seu segundo mandato;
· Reforma da delegacia de polícia de Pirambu;
· Construção de estrada ligando os povoados Maribondo (Pirambu) a São José (Japaratuba);
· Eletrificação rural nos povoados Maribondo e Aguilhadas;
· Pavimentação das principais ruas, do que hoje constitui o centro histórico de Pirambu;
· Construção de uma nova delegacia de polícia na sede do município;
· Construção do prédio do SESP, onde atualmente funciona o Posto de Saúde da Secretaria Municipal de Saúde;
· Implantação d 2ª Etapa da Deso, cuja primeira foi implantada na gestão do prefeito Walter Amaral, com João Dória na condição de vice-prefeito.

Segundo João Dória, as principais dificuldades enfrentadas nos seus dois governos foram à falta de veículos, máquinas e dinheiro. Ele lembra que no intervalo de seus dois governos assistia-se já o início das disputas das famílias Cruz e Amaral, que mais tarde se uniam para se separar mais adiante, num suceder que hoje já não existe diante do surgimento de novos elementos na política municipal.

Aposentado pela Marinha do Brasil, João Dória esteve afastado da vida política, mas ainda atuava defendendo um projeto de grupo, sempre alinhado com a oposição de direita que se estabeleceu em Pirambu. Na última eleição, “abandonou” o projeto do seu filho, Ivan Biriba Dória, provocando uma dúvida na atuação do segundo, não contribuindo com a sua reeleição para mais um mandato de vereador em Pirambu, iniciado em 1983, mas intercalado com algumas derrotas.

2. 1967/71
O governo de Walter Amaral

Walter Amaral Lemos (ARENA), nasceu no dia 02 de julho de 1930 na cidade de Aracaju. Filho de José Amaral Lemos, fundador da Colônia de Pescadores em 1911 e de dona Graziela Amaral Almeida, casou-se com dona Nedina Almeida. Pequeno produtor rural e comerciante, antes de ser prefeito de Pirambu foi eleito vereador de Japaratuba em 1964 com 310 votos.

Walter Amaral elegeu-se prefeito de Pirambu em 1966 com o lema de campanha “você é responsável pelo seu município”, tendo como candidato a vice-prefeito seu antecessor, João Dória do Nascimento.

Suas principais obras foram:

Eletrificação da cidade de Pirambu – 1970;
Construção da 1ª Etapa da Deso;
Construção da Escola Municipal em Aguilhadas e Estadual em Maribondo (obras iniciadas no governo de João Dória);
Compra da faixa de terra litorânea e fluvial para viabilizar o turismo, com o acesso ao rio e a praia.

Durante seu mandato, eram vereadores de Pirambu os seguintes: Adalberto dos Santos, Antônio Bertold dos Santos, José Muniz, Manuel do Carmo e Manuel Elizeu dos Santos, todos pertencentes à ARENA.

3. 1971/73
O governo de Juarez Lopes Cruz

Juarez Lopes Cruz (ARENA) nasceu no dia 19 de setembro de 1934 na cidade de Japaratuba. Filho de Mário Trindade Cruz, ex-prefeito daquele município e dona Alzira Lopes Cruz. Comerciante e produtor rural, candidato único, foi eleito prefeito de Pirambu com 335 votos para um mandato tampão de 1971 a 1973.

Juarez foi agente de estatística do IBGE e vice-prefeito de Pirambu (1965/66), graças ao prestígio do seu pai, que foi prefeito de Japaratuba e liderança política nas duas cidades, que condicionou o apoio a João Dória a indicação do filho.

Num governo marcado pela falta de recursos, teve como principais obras:

· Construção da escola que leva o seu nome no povoado Santa Izabel;
· Calçamento da Avenida Agostinho Trindade.

O seu vice foi o camponês-pescador Adalberto dos Santos, sendo vereadores do período os senhores: Genival de Oliveira, João Francisco dos Santos, João de Benício, Joel Pinto e Misael Biriba, todos incluindo o prefeito, pertencentes à ARENA.

4. 1977/1983
O governo de Daniel Luís dos Santos

Daniel Luís dos Santos inicia o ciclo dos prefeitos que tiveram seis anos de mandato. Conhecido como Dié, nasceu em 23 de junho de 1927 em Pirambu. Filho de Antônio Luís dos Santos e de dona Maria Luísa dos Santos, é casado com dona Vandete Moura Santos e pai de quatro filhos: Maria José Moura Santos, Daniele Moura Santos, Daiane Moura Santos e Daniel Luís dos Santos Filho.

Estudou até o antigo primário e trabalhou na Marinha do Brasil, viajando o mundo inteiro. Em 1966 elegeu-se prefeito pela Arena I, com 5654 votos, derrotando o candidato Capitão Cardoso, da ARENA II. Seu vice-prefeito foi o senhor João Batista Biriba e os vereadores do período foram os senhores: Genival de Oliveira, José Alexandre Santos, Júlio Lopes da Silva e Otávio Francisco da Silva, eleitos pela ARENA e transferidos para o PDS com a mudança de nome da sigla e João da Silva, eleito pela ARENA e transferido para o PMDB quando este constituiu seu diretório em Pirambu.

Dentre as obras executadas pelo prefeito Daniel Luiz dos Santos, ele destaca as seguintes:

· Construção da sede para abrigar o Órgão Municipal de Educação;
· Aquisição do casarão pertencente à família do senhor João Amaral Lemos para instalar a sede da prefeitura municipal;
· Construção do Talho de Carne;
· Construção da sede da Telergipe;
· Ampliação por quatro vezes do da rede de energia elétrica de Pirambu;
· Calçamento de várias ruas, como a Mário Trindade Cruz, Sergipe (atual Givaldo Moura da Silva);
· Construção da estrada ligando Aguilhadas a Lagoa Redonda;
· Construção da escola do povoado Aningas.

Foi durante o seu governo que a pesca alcançou o primeiro surto de desenvolvimento, com a instalação da Pirambu Pesca e a criação do Terminal Pesqueiro de Pirambu em 31 de janeiro de 1981.

5. 1983/1988
O governo de Marcos Lopes Cruz

Marcos Lopes Cruz nasceu no dia 1º de janeiro de 1946. Filho de Mário Trindade Cruz, ex-prefeito de Japaratuba e de dona Alzira Lopes Cruz, é casado com a Drª Sílvia Maria de Vasconcelos Palmeira Cruz, ex-prefeita de Pirambu (1993/96), médica que durante muito tempo atuou em Pirambu e em Aracaju onde ainda continua desenvolvendo suas funções como médica da família. Pai de três filhos: Marcos, Lara e Iuri. Formado em odontologia pela Universidade Federal de Sergipe desde 1974, vem atuando nesta especialidade em Aracaju e Pirambu, tendo atuado no sindicato dos trabalhadores rurais desde 1978 e mais tarde na prefeitura municipal de Pirambu. Produtor agrícola, elegeu-se prefeito em 1982 pelo PDS II, tendo como vice-prefeito o ex-prefeito João Dória do Nascimento, obtendo 533 votos, obtendo mais de 250 votos de frente do segundo colocado. Disputaram contra Marcos os seguintes candidatos: José Alexandre Santos (PDS I), vereador e presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Pirambu; Lúcio Almeida (PDS III), líder político do povoado Maribondo e candidato oficial do prefeito Daniel Luís dos Santos; João da Silva (PMDB I), vereador e ex-presidente da Colônia de Pescadores de Pirambu e Nelson Vieira (PMDB II), fundador do partido e aquele que na década de 80 seria a principal referência da oposição em Pirambu, vindo a se eleger vice-prefeito e o primeiro nesta condição a assumir a prefeitura.

Juntamente com o prefeito Marcos Cruz e o vice-prefeito João Dória do Nascimento, foram eleitos vereadores os seguintes candidatos: Carlos Amaral, Ivan Biriba Dória, Evaldo de Carvalho, durval Oliveira e Jairton Santos, todos do PDS, mas apenas dois eleitos pelo grupo do prefeito, que mais tarde contou com o apoio de todos, uma vez que eram pertencentes ao PDS. Mais tarde, em 1985, passaram para o PFL, partido criado para dar apoio a candidatura do Tancredo Neves (PMDB), que viria a ser eleito presidente da República, derrotando a Paulo Maluf, do PDS.

Nesta eleição que conduziu Marcos Cruz a prefeitura municipal, assistiu-se um fenômeno novo e único na política de Pirambu: o aparecimento de um partido de oposição e a disputa do mandato por cinco candidatos a prefeito.

Entre suas principais realizações, podemos destacar:

Construção da Escola Municipal Mário Trindade Cruz;
Praça Nossa Senhora do Carmo e do Terminal Jorge Almeida Lopes;
Calçamento de novas ruas;
Implantação do Banco Econômico e mais tarde, em substituição, o Banco do Brasil;
Construção do Terminal Turístico de Pirambu;
Construção ou reformas de escolas nos seguintes povoados: Alagamar, Lagoa Grande, Baixa Grande, Lagoa Redondo e Aguilhadas;
Transpaorte escolar dos povoados para a sede do município, e deste para a cidade de Japaratuba;
Ampliação da rede elétrica para a praia;
Implantação da rede elétrica para o povoado Lagoa Redonda.

Quando se esperava que o prefeito Marcos Lopes Cruz retribuísse o apoio a Carlos Amaral, que lhe valeu a eleição para Prefeitura Municipal, este decide apoiar César Rocha para prefeito, provocando uma cisão nas estruturas de poder, projetando Carlos Amaral para os “braços” da oposição que o transformou no seu líder máximo a partir de 1988.

6. 1989/1992
O governo de César Rocha

César Vladimir de Bomfim Rocha nasceu no dia 07 de julho de 1965 na cidade de Aracaju. Filho do ex-Senador da República – 1975/82 – Gilvan Rocha (PMDB) e de dona Zênia Bomfim Rocha, casou-se com dona Maria Aparecida de Oliveira Reis rocha, odontóloga, filha de Artur de Oliveira Reis, ex-prefeito de Lagarto e ex-deputado estadual e irmã de Jerônimo de Oliveira Reis, ex-prefeito de Lagarto, ex-deputado estadual e ex-deputado federal.

César Rocha (PFL) é engenheiro, empresário e advogado. Eleito prefeito de Pirambu em 1989 pela Frente Popular (PFL/PMDB) com 1.132 votos, teve Nelson Vieira dos Santos (PMDB) como seu vice-prefeito e venceu a Carlos Britto Amaral Lemos (PL), da Aliança Progressista (PL, PDS, PSB e PC do B) que tinha como candidato a vice-prefeito o ex-prefeito Daniel Luís dos Santos (PDS). Estava iniciada a segunda parte da “briga” política entre Cruz e Amaral.

Na primeira eleição de Pirambu em que se saia de cena o sistema de partido único (ARENA) e bipartidarismo (PDS X PMDB) tivemos a eleição de uma Câmara Municipal heterogênea e a eleição da primeira mulher vereadora, passando a composição de cinco para nove vereadores. Eis a composição da Câmara eleita: Jairton Santos, Evaldo de Carvalho, João Carmelo Almeida Cruz, José Raimundo da Silva Almeida e Geniro dos Santos (PFL), José Cardoso da Silva e Antônio Fernandes de Santana (PL), José Sebastião dos Santos (PDS) e Ivânia Pereira da Silva (PC do B).

César Rocha entrou para a história de Pirambu como o prefeito mais jovem de Pirambu (ele tinha 23 anos ao assumir a prefeitura) e por ter efetivado a construção de dois quebra-molas, um deles inacabado (o primeiro na Rua Otávio Aciole Sobral e o segundo na Rua Givaldo Moura da Silva) e pela oposição sistemática enfrentada dentro e fora da Câmara Municipal, articulada pela vereadora Vanda e pelo seu partido, o PC do B, levadas ao público pelo jornal Tribuna da Praia.

Em contrapartida, foi no seu governo que Pirambu alcançou seu maior surto populacional, com a oferta de condições de moradia: viabilizou junto ao seu avô, o conceituadíssimo médico Dr. Lourival Bomfim, a aquisição do terreno para construção de casas populares no atual Loteamento Lourival Bomfim, o maior núcleo habitacional de Pirambu.

Foi no governo de César Rocha que o carnaval de Pirambu ganhou dimensões estaduais, ao ser considerado o maior e melhor de Sergipe.

Paradoxalmente, foi também em seu governo que vivenciamos o maior surto de meningite de nossa história, ceifando em 1991 a vida de várias crianças.

Na educação, César Rocha construiu escolas no povoado Bebedouro e no Loteamento Lourival Bomfim. Durante a sua administração, o governador Antônio Carlos Valadares construiu a estrada ligando Japaratuba a Pirambu, com asfaltamento chegando até o Terminal Turística de Pirambu, uma reivindicação histórica da população dos dois municípios.

7. 1990
O período Nelson Vieira

Nelson Vieira dos Santos (PMDB) foi o primeiro vice-prefeito a assumir a prefeitura municipal de Pirambu. Fundador do PMDB e seu principal líder até a sua morte (1997), foi candidato a prefeito em 1982 e ficou num surpreendente quarto lugar, quando todos o apontavam como um dos favoritos.

Em 1987 saiu do PMDB e entrou no PFL, fazendo um acordo para ser o candidato a vice-prefeito na chapa encabeçada por César Rocha. O período em que Nélson Vieira passou a frente da prefeitura não chegou a ser caracterizado como um governo, mas pelas ações implementadas vamos convenciona-lo como sendo.

O prefeito César Rocha precisava se afastar o país, para Miami (EUA) em lua-de-mel, após casar-se com a odontóloga Maria Aparecida Reis Rocha. Durante 87 dias, nos meses de janeiro a abril de 1990, época em que a Câmara Municipal elaborava uma nova Lei Orgânica do Município.

No curto período em que passou a frente da prefeitura, Nelson transformou o carnaval de Pirambu em evento estadual, sendo naquela oportunidade o melhor de Sergipe pela primeira vez; construiu no maior mutirão da nossa história o muro do cemitério da cidade, construiu e reformou dezenas de casas populares além de se envolver em lutas populares, aliados, pela primeira vez, a partidos de oposição ao prefeito César Rocha.

Empolgado com o rápido, mas eficiente governo, Nélson Vieira não demorou a romper com o prefeito César Rocha, retornando ao PMDB e iniciando sua campanha para a prefeitura municipal. Não têm êxito, por não unificar um campo em torno de seu nome, tenta ser indicado candidato à reeleição para vice-prefeito da chapa da oposição encabeçada pelo produtor rural Waltinho Amaral, é vetado por força da lei e tenta eleger-se vereador em 1992. Não tem sucesso, tentando novamente em 1996, sendo mais uma vez derrotado.

Numa fatalidade do destino, Nelson Vieira morre em acidente automobilístico em setembro de 1997, deixando muita saudade no povo de Pirambu que apreudeu a admira-lo e a respeita-lo.

8. 1993/96
O governo de Sílvia Cruz

Sílvia Maria de Vasconcelos Palmeira Cruz, nasceu no dia 1º de junho de 1953 em Anafais/Alagoas. Filha de Sebastião Palmeira da Silva e de dona Durvalina Vasconcelos, é casada com o odontólogo Marcos Lopes Cruz, ex-prefeito de Pirambu (1983/88), irmão do ex-prefeito Juarez Lopes Cruz e filho do ex-prefeito de Japaratuba Mário Trindade Cruz.

Sílvia Cruz foi eleita prefeita de Pirambu em 1992 pela coligação PFL/PRN, tendo como vice-prefeito o vereador por dois mandatos Evaldo de Carvalho (Gago), então presidente da Câmara Municipal, vencendo a Waltinho Amaral, candidato da coligação “União por Pirambu” (PPB, PMDB, PL, PSDB e PC do B), que tinha como candidato a vice-prefeito o então candidato a vereador derrotado quatro anos antes, Adalberto dos Santos Filho, o Betinho, também do PDS, que substituiu a Nelson Vieira dos Santos (PMDB), impedido de disputar a reeleição por força da legislação eleitoral que impedia tal pleito.

Sílvia Cruz venceu a Walter Britto Amaral Lemos por 1.638 a 1.564, colocando uma vantagem de 74 votos. Diferente dos anos anteriores, quando o prefeito ou elegia a maioria da Câmara ou por os coptar, uma vez que eles eram da ARENA I, II ou III, a prefeita Sílvia Cruz enfrentou a oposição, visto que a composição na Câmara Municipal era assim: a) situação: Martha Augusta Gomes de Almeida, José Raimundo da Silva Almeida e Jairton Santos (PFL) e José da Silva Melo (PRN): b) oposição: José Cardoso da Silva e Antônio Fernandes de Santana (PSB), Josué Morais de Souza e Luciano Amaral Araújo (PPB) e Ivan Biriba Dória (PSDB). Este período legislativo foi marcado como o mais vergonhoso de toda a história política de Pirambu: a partir da segunda legislatura, com o apoio do vereador Ivan Biriba, que passou a dar sustentação a prefeita, foram realizadas duas eleições para a Câmara Municipal, elegendo dois presidentes – Ivan Biriba pela situação e José Cardoso pela oposição. Depois de muita disputa jurídica, a justiça deu ganho de causa a situação e José Cardoso foi confirmado como presidente.

Os vereadores da situação (Ivan Biriba, Martha Augusta, Jairton Santos, José da Silva Melo e José Raimundo) foram cassados e em seus lugares assumiram os suplentes: Ivanilde Nascimento Correia e Edgar Odilon dos Santos (PFL), João Carmelo Almeida Cruz (PSB) e Maciel de Deus Alves (PMDB/PSDB).

O governo de Sílvia Cruz foi marcado por um permanente e incessante conflito com a Câmara Municipal, por pura intransigência do executivo e da maioria que fazia oposição no parlamento municipal.

Na educação a prefeita marcou pelo menos três importantes pontos: ampliação da Escola Municipal Mário Trindade Cruz na sede do município, indicação do então deputado estadual Renato Brandão, acatada pelo Governador Albano Franco, implantando alí o 2º grau, através do Projeto SOMEM – Sistema Organizacional do Ensino Médio em 1995 e assina um convênio para capacitação dos professores entre a prefeitura municipal e a Universidade Federal de Sergipe, através do Propref. Na sua gestão foi adquirido junto a FAE um ônibus para o transporte dos estudantes.

Sílvia Cruz entrou para a história de Pirambu ao implantar o serviço de eletrificação em 100 % dos povoados do município, parceria viabilizada junto ao governo do estado, servindo como intermediário o deputado estadual Reinaldo Moura, sendo o primeiro município de Sergipe a conseguir esta condição. Isto foi conseguido graças ao entrosamento com o Projeto Nordeste, através do Conselho de Desenvolvimento Comunitário – CONDEC, entidade que reunia o Condepi, a Asmop, a Colônia de Pescadores e outras entidades populares, sindicais e comunitárias.

Aliás, as obras mais importantes do seu governo foram possível graças a estes projetos, uma vez que a Câmara Municipal tentava inviabilizar a administração municipal.

Dentre suas realizações, estão a eletrificação do bairro Invasão, do conjunto Lourival Bomfim, a ampliação da rede de água além do fortalecimento do carnaval, agora transferido para o campo de futebol.

Na saúde, a prefeitura assume a administração do FNS (ex-SESP), através da municipalização dos serviços, foram ainda implantados os Agentes Comunitários de Saúde.

9. 1993
O período Evaldo de Carvalho

Evaldo de Carvalho, o Gago, foi vereador de Pirambu por dois mandatos (1983/88 – 1989/1992), o primeiro pelo PDS e o segundo pelo PFL, de onde saiu em 1996 para ser candidato a prefeito pelo PDT. De 1990 a 1992 foi presidente da Câmara Municipal. Devido a sua popularidade, força política e prestígio no seu partido e junto a seus colegas vereadores de bancada, conseguiu ser indicado candidato a vice-prefeito em 1992 ajudando sobremaneira na eleição da prefeita Sílvia Cruz.

A passagem de Evaldo de Carvalho pela prefeitura de Pirambu foi rápida e se deu no primeiro semestre de 1993, em substituição a prefeita Sílvia Cruz, que juntamente com outros prefeitos do Vale do Japaratuba participava de um curso sobre administração municipal na Alemanha.

Gago conseguiu em 45 dias, algo extremamente positivo: “saneou e calçou ruas, promoveu a harmonia entre os poderes executivo e legislativo, sustou pagamento de marajás (pessoas que ganhavam sem trabalhar) e moralizou a coisa pública” (12), promovendo o retorno imediato da titular que fora avisado do ‘estrago’ colocado em prática pelo vice.

Semelhante ao que fez Nelson Vieira quando passou pela prefeitura três anos antes, Evaldo de Carvalho rompe com a administração municipal. Vai para a oposição, apóia em 1994 Jackson Barreto para governador, Valadares e Zé Eduardo para o Senado, Jerônimo Reis para deputado federal, mas continua atrelado ao deputado estadual Reinaldo Moura, apoioando-o em sua reeleição, contribuindo para mais uma vitória deste em Pirambu.

Notas:

(1) SILVA, 2001.
(2) Idem
(3) Idem
(4) Segundo depoimento de João Castelo, em 1985.
(5) SILVA, 2001.
(6) Idem.
(7) Idem.
(8) Até 1934, Pirambu pertencia ao município de Capela, passando ao município de Japaratuba com a emancipação deste em 24 de agosto de 1934.
(9) SILVA, 2001.
(10) Idem.
(11) Idem
(12) Assim dizia um texto de campanha de Gago para prefeito de Pirambu em 1996.

Bibliografia:

SILVA, Claudomir Tavares da. Pequena História de Pirambu. Pirambu: Semec/EMMTC, 2001

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