13 de ago de 2009

25 anos da Ilha do Rato

Comunidade está sendo reconhecida como remanescente de quilombo com o nome de Pontal da Barra
Por Claudomir Tavares
claudomir@infonet.com.br

Por trás de onde o saudoso ‘Mané Piroca’ construiu a primeira casa confeccionada a base de madeira de mangue e palhas de coqueiro em meados de 1984, existiam as terras pertencentes aos saudosos José Lauro Ferreira (Zé de Titia), João Oliveira e Valdemir Santos. Uma cortina de manguezal separava a casa dos coqueirais, viveiros e dunas da faixa de terra as margens do Rio Japaratuba, onde Manoel desembarcou com sua família, iniciando alí uma comunidade que hoje reúne dezenas de casas, mas estando vivendo seus moradores em situação de penúria, cercados pelos vizinhos: rio, oceano e a cidade de Pirambu, que mesmo estando às relações desta comunidade a ela ligadas, pouco pode ser feito, em função do local está no município de Barra dos Coqueiros.

Depois de ‘Mané’, vieram pescadores cuja origem estava nos estados de Alagoas, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará, no maior processo migratório que a partir de 1987 fez a população de Pirambu dar um salto quantitativo, estendendo o pólo habitacional para o outro lado do rio. Assim, a comunidade passava a ser conhecido pelo nada sugestivo nome de ‘Ilha do Rato’, sofrendo alterações nesta década, que num processo de reconhecimento como remanescente de quilombolas, passou a se chamar ‘Pontal da Barra’ (Fundação Palmares), ou ‘Pontal da Ilha de Santa Luzia’ (Câmara Municipal de Barra dos Coqueiros). Neste período, a população que em 1990 era de algo em torno de 100 pessoas, ultrapassa os 250 moradores em 2008.

Apesar de pertencer ao município de Barra dos Coqueiros, as sucessivas administrações dos prefeitos Gilson dos Anjos (1996/2004) e Airton Martins (2004/2008) pouco fez para melhorar a vida daquela comunidade. O argumento do município de Pirambu para também nada fazer era a localização geográfica da ‘Ilha do Rato’.

Neste empurra-empurra, a comunidade cresceu e com este multiplicaram seus problemas: falta de saneamento básico, energia elétrica, escola, posto de saúde, toda infraestrutura mínima que possa garantir a sobrevivência de cidadãos. Num processo de reconhecimento de remanescente de quilombo, os moradores vêem uma luz no fim do túnel, e já se organizam, mudando-se para um acampamento instalado as margens da rodovia SE-100, que liga os municípios de Barra dos Coqueiros a Pirambu, próximo a ponte da Amizade que une os dois municípios.

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