7 de mar de 2011

História do Carnaval de Pirambu

A metamorfose de um dos melhores carnavais de Sergipe

Por Claudomir Tavares * [claudomir@tribunadapraia.net]


O carnaval de Pirambu foi marcado até metade da década de 80 do século XX pela espontaneidade dos turistas e seus moradores, que municiados de talco, maizena, farinha de trigo, água e misturas coloridas, nos remetiam aos entrudos que marcaram os primórdios do carnaval sergipano. A cidade veraneio e balneário do litoral era um refúgio de descanso daqueles que a procuravam nos meses de dezembro a fevereiro, temporada de férias escolares, ficando em suas casas de veraneio, em barracas armadas na área de camping ou praças da cidade. Neste período, era a bandinha do Bizu (Aracaju) que fazia a animação dos mais alegres em um palanque amado pela prefeitura de Pirambu.

Foi no governo Antônio Carlos Valadares (1987/1990) que teve início a efervescência do Carnaval de Pirambu, com a democratização da festa, antes restrita aos clubes da capital, Aracaju (Iate, Vasco, Cotinguiba, Atlética, etc) e Praça do Povo. De 1988, quando Segundo o saudoso Wilton Lopes (Programa Chamada Geral/TVs Sergipe e Atalaia) Pirambu passava a condição de melhor Carnaval de Sergipe, até o surgimento do Pré-Caju, em 1992, quando Pirambu (Litoral Norte) e Neópolis (Baixo São Francisco) polarizavam, sem concorrer diretamente entre si, dadas as peculiaridades (axé e arrastão na primeira e frevo desfile de Zé Pereira na segunda), até 2007, foi assim a evolução do nosso carnaval.

Houve tempo em que o Carnaval de Pirambu começava na quarta-feira que o antecedia e só terminava na quarta-feira de cinzas. Eram mais de 200 horas de shows e um público médi0 diário de 30 a 40 mil pessoas em uma cidade cuja população do município (aí incluindo os povoados) é de pouco mais de 8 mil. Mas este tempo já ficou para trás e a cidade passou a dividir o título de melhor Carnaval de Sergipe não apenas com Neópolis, no Baixo São Francisco, mas com os carnavais ascendentes de Atalaina Nova (Barra dos Coqueiros), Caueira (Itaporanga D’Ajuda) e Abaís (Estância), além de Aracaju, que a retomada do Rasgadinho de Seu Leopoldo revive seus grandes carnavais.

A cidade que até 2002 aglutinava um público que permanecia por aqui da sexta-feira à tarde ou sábado até à tarde da terça-feira ou manhã da quarta-feira de cinzas, que se hospedavam em casas alugadas, agora reunia um público flutuante, condição permitida com a inauguração da ponte da Amizade (sobre o Rio Japaratuba) que liga os municípios de Pirambu a Barra dos Coqueiros. Isso se acentuou a partir do Carnaval de 2007, quando cai consideravelmente o número de foliões da noite, em contraste com o público que frequentava a cidade pelo dia, nos tradicionais arrastões que reuniam por dia entre 20 a 30 mil pessoas, com picos naqueles puxados pelo “Rei do Carnaval” Cid Natureza. (Sobre sua ausência no Carnaval, o Conselheiro Reinaldo Moura disse que via isso “como uma grande injustiça contra um artista que chegou a reunir até 30 mil pessoas nos arrastões em Pirambu”). É que aquele foi o primeiro ano da “Ponte Zé Peixe” que ligou Aracaju a Barra dos Coqueiros.

A partir de 2008, com o advento da “Intervenção” de triste memória, o Carnaval de Pirambu definha definitivamente, pois a programação fora anunciada tardiamente, o volume de investimentos não fora o anunciado e os foliões se dividiram entre os vários destinos momescos sergipanos. Essa tendência se manteve nos anos 2009, quando a Tribuna da Praia estampou em sua primeira página “Perde fôlego o Carnaval de Pirambu”. Em 2010 o Pirambeach devolveu o fôlego ao Carnaval, mas a grande frustração deu-se em 2011, quando o Governo do Estado, principal patrocinador da festa, diminuiu de R$ 350 para R4 100 mil o repasse, peando o município que não se organizou para assumir a realização da festa de surpresa.

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* Claudomir Tavares da Silva (42) é professor da rede pública municipal em Pirambu e estadual em Propriá.

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