19 de abr de 2011

UNAMP: Muito cacique para pouco índio

Em Propriá existem 53 associações de moradores, a maioria delas funcionando dentro de uma pasta e dentro das casas de seus presidentes

A cidade de Propriá, distante 98 km da capital, possui algo em torno de 30 mil habitantes, pouco mais uma dezena de bairros e cinco povoados. Alguns deles subdividem-se, o que não chega a mais de uma dezena. Diferente dos demais municípios sergipanos, aqui existe uma entidade, a União das Associações de Moradores de Propriá, a UNANMP, que as congrega, para que a partir delas as lideranças comunitárias possam atuar de forma articuladas, unificadas: BINGO!

Semelhante aos demais municípios sergipanos, estas associações, em sua maioria, resguardando algumas raras e honrosas exceções, funcionam como verdadeiras ING’s (Indivíduos Não Governamentais), distantes dos reais e verdadeiros interesses da coletividade, muitas vezes existindo apenas cartorialmente, dentro de uma pasta, com um número de associados que não refletem a área geográfica que se propõe representar: PINGO!

Precisamos repensar urgentemente o papel das nossas associações. Não cabe aqui ensinar o “Pai Nosso ao Vigário”, longe de nós. Mas acreditamos ser necessários reaglutinar algumas associações em uma só, cuja base territorial deve limitar-se ao Bairro. Assim, fortaleceríamos o movimento comunitário, dano legitimidade aos mesmos. As associações não podem servir de instrumentos promíscuos e trampolins políticos.

Acreditamos na legitimidade do movimento comunitário, como instrumento de pressão, caixa de ressonância dos moradores da zonas urbana e rural, que reúna-se periodicamente com seus representados, que promovam eventos sócio-culturais e não se atrelem a grupos e partidos políticos. Entendemos que os líderes, os cidadãos tem legitimidade de fazer a opção partidária, política, mas preservando a autonomia da entidade que representa.

Presidida pelo senhor Manuel Lima (foto), conhecido popularmente como Boca (não sabemos a origem do sugestivo apelido), a União das Associações de Moradores de Propriá (UNAMP) tem uma importância singular, possivelmente não dimensionada pela sociedade propriaense, talvez por isso parasse em mãos que não a representaram dignamente, como nosso amigo Xaropinho. Hoje está vivendo uma nova experiência, mas não tem feito o movimento comunitário avançar.

Em recente pronunciamento na Câmara Municipal de Propriá, o presidente Manoel Lima não se deu a preocupação de se quer permanecer até o final da Sessão Especial que discutir reivindicações dos senhores presidentes de associações. Segundo ele, Propriá possui 53 associações, mas não soube responder quantas estão legalizadas, com documentação em condições de estabelecer parcerias, celebrar convênios ou outros tipos de relações institucionais que proporcionem melhorias da qualidade de vida da comunidade.

Naquela oportunidade, apenas 5 (menos de 10% das associações) estavam presentes, o que nos dá entender que alguma coisa está fora de ordem. A vereadora Rozélia da Ponte (PTC) fez uma denúncia grave. “Tem presidentes de associações que pagam aluguéis como sendo de sede das associações de moradores e residem nos imóveis”, disse, numa afirmação que precisa ser averiguada, até para isentá-los ou apresentar os responsáveis por tamanha improbidade.

De nossa parte estamos a disposição os presidentes das associações bem como da UNAMP para se necessitar do espaço, utilizá-lo tantas e quantas vezes se fizer necessários. Como cidadão, vamos exercer nosso papel e filiar-me nos próximos dias a associação que em jurisdição na rua em que moro, a Rua Gouveia Lima (Rua da Palma). Convidamos nossos leitores a fazer o mesmo e começar a interceder pela sua consciência, participando, propondo, criticando, mas ajudando a construir o movimento comunitário de Propriá.

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Por Claudomir Tavares / claudomir21@bol.com.br

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