10 de jun de 2010

JOÃO DUBECO vence 14º Festival de Poesia Falada de Japaratuba

Texto: Elton Coelho * | Foto: Emsergipe.com (Arquivo)
Show de interpretação, de encenação e de poesia literária. Assim pode ser resumida a noite glamorosa que viveu o clube professora Rita de Cáscia, na cidade de Japaratuba na última sexta-feira, 04, ao realizar o XIV Festival de Poesia Falada Poeta Garcia Rosa.

Aberto pela prefeita Lara Moura, o Festival de Poesia atraiu não somente um bom público que lotou o clube social, mas notabilizou-se por prestar uma homenagem a um dos filhos ilustres de Japaratuba, o conselheiro do Tribunal de Contas e ex-deputado estadual, Reinaldo Moura Ferreira.

Noutra parte, a comissão julgadora foi composta por poetas, jornalistas e intelectuais de alto gabarito, trazendo nomes como: Luiz Antonio Barreto, Jozailto Lima, Aline Almeida, Guga Oliveira, Jorge Marcelo Ramos, Juscelino Pinheiro de Brito e Sonis Alberto do Nascimento.

Cerca de 16 poesias foram classificadas para a noitada literária que, após todas as interpretações realizadas e haver atraído poetas de vários municípios sergipanos, ficou assim definida:

1º lugar – Súplica Ardente dos Degregados Filhos de Maria – autoria de João Batista (foto) e interpretação de Jadson Rocha – R$ 1.000,00 (Japaratuba)

2º lugar - Renascer para Recomeçar – autoria de José Edson – R$ 800,00 (Estância)

3º lugar – Mas de Poeta e de Louco – autoria Périclys da Rocha – R$ 700,00 (japaratuba)

4º lugar – Inquietude - autoria de Tarciso Ramos – R$ 600,00 (Estancia)

5º lugar – Eu sou José – autoria de José Pereira – R$ 500,00 (Japaratuba)

Melhor Intérprete – Jadson Rocha – R$ 300,00

Melhor Produção Cênica – João Batista – R$ 300,00
Júri Popular – foi para Pérycles da Rocha, autor de “Mas de Poeta e de Louco” - R$ 400,00

Ao final do evento, a prefeita Lara agradeceu a presença dos integrantes do corpo de jurados, do público presente, além da homenagem feita ao conselheiro Reinaldo Moura, destacando a vivacidade cultural de Japaratuba e o show à parte de interpretação e letras compostas pelos poetas.

Confira na íntegra o texto do poema vencedor do XVI Festival de Poesia Falada de Japaratuba:

"Súplica ardente dos 'degredados filhos de Maria"
Autor: João Batista (João Dubeco)

Na escuridão da noite inicial,
Quando os primigênios
Colheram na árvore santa dos sonhos,
Cujos frutos da mente, são chaves
Para abrir as portas do segredo e do silêncio.
Quando os segredos de Deus,
Tão guardados, enfim foram revelados,
Nus sobre o sol.E as luzes do Éden
Extintas, os portões foram selados
Para áqueles que tentam
Ler os mistéiros do desnino humano.

Banidos foram as mais perfeitas criaturas,
A serpente foi com eles e, no cortejo,
Anjos rebeldes os perseguiram.
E, lançados pelos corredores do inferno,
Coroaram Satanás. Construíram este
inferno de abismo em que se afoga
O desespero do homem. De música
Fizeram os mares, para conter o céu
Que os persegue. Tornaram-se frágeis
Para suportar a cabeça do Eterno
Que se inicia sonhando sobre eles.

Morrer? Não era a morte o que sonhávamos
São pobres demais para morrer.

Os anjos arquitetam seus deignios
Sem consultar a estrela que os guia?
.... e a morte olhando esse jogo de equilibrista.

E Deus, pastor do espanto e da ternura,
Vive catalogando as suas agonias
E manda os seus tufões os arrastarem
Mortos ou vivos , pela escuridão.
Mas não é o abismo, o que eles temem.
É o retorno. É ver Deus
Jogando os dados do destino.

Vencer o tempo era o desígnnio.
Perderam a batalha. Vencidos,
Eis que a morte os acolhe,
Nos caminhos inquietos deste mundo
Entre o impossível e o abismo
Da morada dos Eleitos.
Para que eles, malditos ou felizes,
- filhos da luz e do Mistério,
Um dia possam caminhar sem sobressaltos
Em direção dsa Rosa de Ouro em chamas
E lá construírem outra pátria,
Arquitetada par ouvir o apelo de nossas asas.

E eu, o anjo do julgamento, aquele que Tocará a trombeta no juízo Final,
Que volto do reino das Potestades,
Vim depressa socorre-los .
Trago nas mãos balança do Eteno,
Para pesar no escuro, o prato e o coração
Dos ungidos filhos de Adão, sob o clarão
Da túnica da virgem que vem tangendo
Os carrilhões da aurora.

Eu vim ouvir a noite e seus vassalos,
No conselho dos Arcanjos, e reunir
As legiões dos principados , para esmagar
As sombras do impevisto. Depois seguir
O rastro das estrelas e convocar Todos os santos
para o préstito do rgresso destes
" Degredados Filhos de Eva' que vivem
"Gemendo e chorando neste vale de lágrimas".

A sete chaves do trono onde Deus guarda os seus
Mistérios estão nas mãos do Arcanjo, eleito para
Vencer astúcias e as garras do dragão infernal.

E Tu, oh grande Taumaturgo, por tuas
Criaturas , á luz semeada pelas tuas mãos.
Louco ou possesso, um dia abri, chorando,
As portas de ouro e fogo que abriga teu
Misericordioso olhar de mestre.
Mas previa ser esta vida a senha eo itineário.
E faz que um novo canto se inicie e agrade,
Como outrora, à homens e feras.
Para que eles , egressos dste inferno,
Lembrem, sem chorar,tua presença.

E vós o mestre sobre a vida e a morte.
Ensina a teus discipulos à reta, dai-hes a
Senha, risca o itineário no mapa do teu céu,
E põe em suas mãos a rede e o leme, para que
Eles possam apanhar o ouro da luz que sobe
Das sandálias de teus pés, e no caminho
Amar a sua tenda em dominios seus,
Vencer a dor, o medo e a solidão.
Eis que com brado retumbante confirmei
Em alta voz : " Quem é como Deus ?"
Pois o Príncipe da Milícia Celeste os
Defendeu no combate e Venceu!
Amém."

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* Colaboraram nas informações os professores Antônio Glauber e Pedro da Cultura

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