24 de mar de 2010

A República Brasileira de 1964 a 1985 (Parte II)

... e seus reflexos na vida política sergipana e pirambuense
Por Claudomir Tavares * | claudomir@tribunadapraia.net


O ano de 2009 teve uma importância bastante significativa para a História do Brasil. Marcou os 45 anos de instalação do Regime Militar (1964/85), os 40 anos do seqüestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick (1969), que deu origem ao Filme “O que é isso companheiro?”, os 30 anos da conquista da Anistia, os 20 anos da Redemocratização com as Eleições Presidenciais de 1989. Aqui em Pirambu, está sendo marcado pelo início das comemorações dos 25 anos de instalação do primeiro partido de esquerda, o PT, que em 14/12/2010 celebra Bodas de Prata.

Para marcar estas datas, a Tribuna da Praia está dando início a uma série de artigos, que estréia com “A República Brasileira de 1964 a 1985 e seus reflexos na vida política sergipana e pirambuense”, de nossa autoria, e que fora apresentado a disciplina História do Brasil III, ministrada pelo professor Dr. Jorge Carvalho do Nascimento, da Universidade Federal de Sergipe (UFS) no segundo semestre de 2000, e que fora publicado pelo extinto Centro de Documentação “Paulo Freire” (CEDOC-PT) em janeiro de 2001. O artigo está estruturado em quatro partes, a saber: 1 – 20 anos que alguém comeu, 2 – o 1964 em Sergipe e o surgimento do PT, 3 – Pirambu na época do Regime Militar e 4 – O PT em Pirambu. Preservamos o texto como fora confeccionado há 10 anos. Confira a segunda parte do artigo:

:: 1964 EM SERGIPE E O SURGIMENTO DO PT

Seixas Dória, do PSD, governa o estado de Sergipe de 1961 até 1964 quando teve seu mandato cassado pelo governo Militar. Com ele teve início a exploração do petróleo em Sergipe, na região de Carmópolis (precisamente no território de Japaratuba). Incentivou a alfabetização e o desenvolvimento cultural do estado, o mais pobre do Nordeste. Naquela época já atuavam movimento de trabalhadores, estudantes e a população das cidades. Seixas Dória que apoiava João Goulart “chegou a anunciar, em comício no Rio de janeiro, que iria fazer a reforma agrária em Sergipe/’ (SANTOS, 1998: 105). Junto com o governador de Pernambuco, Miguel Arraes, que apoiada Jango, Dória teve seu mandato cassado, sendo os dois deportados para o arquipélago de Fernando de Noronha.

“Alguns deputados perderam o mandato, professores e funcionários públicos foram demitidos, estudantes e trabalhadores foram presos. Foi desmontado o movimento pela alfabetização, pela divulgação cultural e as manifestações políticas tornaram-se difíceis e perigosas” (SANTOS, 1998: 106).

Com a deposição de Seixas Dória, assumiu o seu vice, Sebastião Celso de Carvalho. A situação política de Sergipe prosseguia com a alternância de governadores dos mais conservadores, seguidores da cartilha do Regime Militar. Arnaldo Garcez, Rollemberg Leite, Augusto Franco/Djenal Queiroz e João Alves Filho (este eleito em 1982, mas pelo partido dos militares, o PDS que substituiu a ARENA).

Em 1967, foi instituído o bipartidarismo: quem era governo deveria filiar-se à ARENA e quem era oposição, deveria filiar-se ao MDB (não poderia ter o nome de partido, nem a letra “p”). Aqui, quase todos os políticos queriam estar na ARENA.

Com a abertura de 1979, surgiram no paios o PDS, o PMDB (ex-MDB), o PT, o PDT, o PTB e o PP (existiu por pouco tempo).

“A esta altura, um partido novo tornou-se muito importante e iniciava suas atividades em Sergipe. Era o Partido dos Trabalhadores (...), como resultado da força do movimento sindical. Professores, estudantes, sindicalistas e trabalhadores das indústrias petrolíferas estabelecidas no Estado construíram o PT em Sergipe” (SANTOS, 1998: 114).

Segundo Menezes, a formação do Partido dos Trabalhadores em Sergipe se deu “através dos líderes do novo sindicalismo das regiões Sul e Sudeste do país, sobretudo do estado de São Paulo, que ocorreram as principais mobilizações para a formação do PT (...) Em Sergipe (...), não tínhamos um operariado organizado, (...) existia era a história política dfe pessoas que participavam desde movimento de esquerda (...) havia os bancários, havia professores do estado, do município e da UFS. (...) ex-metalúrgicos (...). Vale ressaltar que o Movimento Estudantil se apresentava com seus melhores quadros”. (...) “As principais discussões sobre o processo de formação do Partido dos Trabalhadores em Sergipe se deram (...) quando alguns profissionais liberais que faziam parte do Centro de Investigação Social (CEIS) resolveram debater o assunto. A outra forma se deu no seio do movimento estudantil (...) A formação do Partido dos Trabalhadores no Estado de Sergipe, apesar de ter sofrido influências do que estava ocorrendo no restante do país, principalmente em São Paulo e mais precisamente no ABC Paulista, teve especialidades que deram características próprias ao PT deste Estado. (...) foi o primeiro partido que sob o aspecto organizacional tentou se constituir de fato num partido de massa, ou seja, de origem extraparlamentar, de carater societário (...)”. (MENEZES, 2000: 40-41-46-57).

Continua...

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23/03/2010 – A República Brasileira de 1964 a 1985 (Parte I)

:: Bibliografia:

DANTAS, José Ibarê Costa. Os partidos políticos em Sergipe (1989-1964). Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1989.
MENEZES, José Valdomiro Fernandes. Origem e formação do Partido dos Trabalhadores no Estado de Sergipe (1980-1982): monografia. São Cristóvão: UFS, 2000.
KOSHIBA, Luiz e PEREIRA, Denize Manzi Frayse. História do Brasil. 6 ed. São Paulo, Ática, 1983.
SANTOS, Lenalda Andrade e OLIVA, Terezinha Alves. Para compreender a História de Sergipe. Aracaju: Opção Gráfica, 1998.
SILVA, Claudomir Tavares da. Pequena História de Pirambu. SEMEC/EMMTC, 2001.
.................................................. Resgate Histórico do PT. Pirambu: Cedoc, 2001.
SKIDMORE, Thomas. Brasil: de Castelo a Tancredo (1964-1985). Tradução: Márcio Salviano Silva. São Paulo: Paz e Terra, 1988.

:: Bibliografia Específica:

KOSHIBA, Luiz e PEREIRA, Denize Manzi Frayse. História do Brasil. 6 ed. São Paulo, Ática, 1983.
SKIDMORE, Thomas. Brasil: de Castelo a Tancredo (1964-1985). Tradução: Márcio Salviano Silva. São Paulo: Paz e Terra, 1988.
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* Claudomir Tavares (41) é professor de História, Sociedade e Cultura da Escola Municipal Mário Trindade Cruz (Pirambu), de História, Filosofia, Sociologia e Cultura Sergipana no Colégio Estadual Joana de Freitas Barbosa (Propriá). Licenciado em História pela UFS, com Pós Graduação em Gestão de Recursos Hídricos (Aperfeiçoamento – Concluído / Cursando Especialização) pela UFS e Didática e Metodologia do Ensino Superior pela Faculdade São Luís de França. É presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Japaratuba, membro fundador da Sociedade Sócio-Ambiental do Vale do Japaratuba (SOS Rio Japaratuba), presidente municipal e secretário estadual de Assuntos Parlamentares do Partido Verde e Diretor-Fundador do Jornal Tribuna da Praia (Impresso desde 1983 e Online desde 2004). Mantém site, blog, twitter, perfil e comunidade no Orkut.

Fonte: TRIBUNA DA PRAIA - Em: 24/03/2010

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