16 de nov de 2009

Propriá: A princesinha do São Francisco

I – História:

No princípio do século XVII, os Jesuítas fundaram um missão para catequese dos índios chefiados por Pacatuba, que viviam às margens das lagoas aquém e a montante da fundação situada no moro que denominaram "Urubu ." O núcleo populacional surgido, algum tempo depois, em um relevo pouco adiante da missão , passou a ser chamado Urubu de Baixo , nome primitivo da cidade de Propriá .

A primeira penetração no território precedeu , sem dúvida ,à incursão dos padres da Companhia de Jesus . Te-la-iam feito os primeiros exploradores do Baixo São Francisco ou os franceses para comércio com os silvícolas existentes na sua faixa marginal .

As terras que vieram a ser chamadas de Urubu, também por influência da fundação local dos Jesuítas, estavam contidas no território situado entre rios Sergipe e São Francisco , que Cristóvão de Barros havia dado de sesmaria, a 9 de abril de 1590, a seu filho Antônio Cardoso de Barros , os quais foram doados pela viúva deste ao seu genro, Pedro de Abreu Lima, antes da metade do século XVII.

Propriá era uma pequena povoação, quando em 1646, no mês de dezembro, o capitão Samuel Lambert (La Montagne) bate às suas portas, à frente de quase oitocentos homens para punir 200 fugitivos da vila de São Francisco.(Penedo -Alagoas), que congregados, haviam atacado uma sentinela avançada de 20 homens, da expedição de reconquista holandesa, chefiada pelo coronel Henderson, e após, galgaram a margem sul do rio, encontrado-se sob o comando do comando do capitão Francisco Rabelo, encarregado pelo governador-geral de guardar e defender o território sergipano.

Aconteceu que fugiram aqueles combatentes que deviam resistir a La Montagne, mas, quando o capitão já pensava em uma vitória, perde a ação na emboscada de que foi alvo. Neste feito militar, morreram, além de 114 soldados, 9 oficiais inclusive o bravo Almirante Lieththardt, ficando preso o valente capitão Gisseling, que em companhia de Schopp, tinha buscado em 1637, pelo território de Sergipe, o conde Bagnuolo (Felisbelo Freire - Hist. de Sergipe).

Graças à sua privilegiada situação às margens do grande rio São Francisco e nas proximidades das várzeas férteis, a povoação alcançava rápido progresso , tanto que aos 18 de outubro de 1718, o Arcebispo Primaz da Bahia, D. Sebastião Monteiro da Vide, resolveu erigi-la em sede de freguesia com a denominação de Santo Antônio do Urubu do Baixo, desmembrada da Vila Nova D'EI Rei, com o território de mais de 40 léguas de extensão, partindo da foz do riacho Pindoba , rio São Francisco acima , em busca do poente, até os limites da freguesia de Pambu (Antigo Curral dos Bois, Glória- Bahia), defronte ao riacho Xingó, a pouca distância da Cacheira de Paulo Afonso ou até a barra do rio do Sal como disseram outros historiadores.

Em 1800, a freguesia de Santo Antônio do Urubu de Haixo, segundo levantamento da época, possuía em seu território 875 fogos e 4000 almas cuja sede expandi-se como aglomeração urbana e centro comercial que transacionava como vila de Penedo situada sete léguas abaixo do rio, então mercado de todo comércio do interior do São Francisco. Por êsse tempo, seguiam o seu curso as diligências junto à côrte para criação do município .

Um ano depois, pela Carta Régia de sua Alteza o Príncipe D. João, Regente do Reino de Portugal, datada de 5 de setembro de 1801, ao General de Estado D. João de Lencastro, governador-geral da Bahia , foi mandado erigir em vila, esta freguesia com seus limites de 40 léguas de extensão, sendo instalada solene e festivamente pelo ouvidor-geral e corregedor da comarca, Dr. Antônio Pereira Passos, em 7 de fevereiro de 1802.

Quase 20 anos depois, em 1821, a freguesia de Santo Antônio de Propriá é desfalcada da maior parte de sua área territorial com a criação da freguesia de São Pedro do Pôrto da Folha, com sede na Ilha de São Pedro, no rio São Francisco, cujo território começava na serra Tabanga, daí seguindo até limitar com a Bahia, ficando a de Propriá com cerca de 14 léguas de extensão na margem do rio, da foz do riacho Pindoba à ponta da referida serra Tabanga; território que veio a ser desanexado do município, com a elevação da freguesia a vila, tendo a designação de Nossa Senhora da Conceição do Porto da Folha, pela Lei provincial de 19 de fevereiro de 1841.

Pela Resolução n.0 755, de 21 de fevereiro de 1866, Propriá recebe a categoria de cidade, antes, porém, pela Resolução n.0 379, de 9 de maio de 1854, tornava-se cabeça da comarca de Vila Nova, conservando-se, dessa forma, a mesma designação de comarca de Vila Nova, vindo a Resolução n.0 461, de 20 de fevereiro de 1857, transferir o nome da comarca de Vila Nova para comarca de Propriá que ficou compreendendo além de seu termo os termos de Vila Nova e Porto da Folha.

A partir desta data, Propriá marchou mais acelerada, sofrendo as mutações político-sociais que vieram com a República e por imperativos da civilização do século XX.

Com a República, inicialmente é dissolvida a sua Câmara Municipal e nomeado um Conselho de Intendência por Ato de 2 de janeiro de1890, do Governo do Estado, composto dos membros seguintes: Dr. Davino Nomísio de Machado, cabendo a presidência ao primeiro.

Em 1908, surgia seu hospital de caridade; em 1914 fábrica de tecidos e a sua primeira usina de beneficiar arroz.

Em 1920, a sede da comarca se achava em Vila Nova, mas, o seu florescimento de Propriá aumenta com a inauguração do último trecho da Viação Férrea Federal Leste Brasileiro que veio ligar a localidade com as capitais : Aracaju e Salvador-Bahia, e com outras sedes de municípios marginais da referida estrada. Neste ano foi instalado o seu serviço de energia elétrica para iluminação pública e particular.

Pela Lei estadual n.0 820, de novembro de 1921, Propriá passa a ser a sede da comarca de Aquidabã, situação que só veio a ser modificada com a restauração de sua comarca pelo Decreto-lei estadual n.0 150, dezembro de 1938.

Com a nova ordem implantada pela Resolução de 1930, operaram-se as transformações de ordem política; no mais o município continuou a sua marcha de construção da grandeza que desfruta no presente.

Em 1931, instalava-se a sua primeira agência bancária, filial do Banco Mercantil Sergipense S.A. Posteriormente, na Interventoria do então major Augusto Maynard, era inaugurada a rodovia Aracaju- Propriá, que constituiu mais um fator de progresso para o município.

Em 1949,Propriá atingia a liderança no comércio atacadista do Baixo São Francisco, com 57% das vendas totais de tôda zona, colocando-se em segundo lugar no Estado, imediatamente depois de Aracaju. Pela Lei Estadual n.0 554, de 5 de fevereiro de 1954, que fixa a divisão administrativa e judiciária para o qüinqüênio 1954-1958, é desanexada do município a faixa de terra para construir a área territorial do município de Amparo de São Francisco, criado pela Lei n.0 525-A, de 25 de novembro de 1953. Pela dita Lei n.0 554, Propriá se compõe de um único distrito de paz e a sua comarca, de seu termo e dos termos judiciários de Amparo de São Francisco, Aquidabã, Cedro de São João e Tamanduá.

II – Geografia:

Localização:

Situado na zona Fisiográfica Baixo São Francisco, limita ¹ com os municípios de Amparo de São Francisco, Aquidabã, Cedro de São João, Japoatã, Neópolis e, pelo rio São Francisco, com os de Porto Real do Colégio, São Braz e Igreja Nova, do Estado de Alagoas. A cidade se ergue em um relevo que se alteia aqui de maneira disfarçada para depois de uma depressão onde existiu uma lagoa, continuar em comedida ascensão que lhe dá aspecto majestoso e a torna encantadora principalmente vista do rio que corre aos pés. Suas coordenadas geográficas são 10 12'31'' de latitude Sul e 36 52'08'' de longitude W. Gr. Distante 81 quilômetros em linha reta da Capital do Estado, em relação à qual está situada no rumo N.E.

Altitude:

Todo o município localiza-se em terrenos relativamente baixos, estimando-se para sede municipal uma atitude de 20 metros.

Clima

O clima do município é pouco variável, não sofrendo oscilações fortes. A sua temperatura, em 1999, apresentou os seguintes resultados expressos na escala centígrada: média das máximas - 29,4; média das mínimas - 17,1. Chove regularmente no período abril-agôsto.

Área

A área territorial do município, conforme estimativa recente da Inspetora Regional de Estatística Municipal de Sergipe, é de 110 quilômetros quadrados.

Limites

Norte; Porto Real do Colégio/AL, São Braz/AL.
Sul; Cedro de São João, São Francisco.
Leste; Neópolis, Japoatã.
Oeste; Telha.

Acidentes Geográficos

Os principais são: rio São Francisco, que entra no município a oeste, nos limites com Amparo de São Francisco e corre em direção ao leste deixando-o nos limites de Neópolis, na foz do riacho Pindoba; rio Propriá, que serve de sangradouro à lagoa do Cedro; e rio Pindoba, que limita este com o município de Neópolis. Ilhas: Jundiaí, Formosinha e Coração de Jesus, todas elas situadas no rio São Francisco e aplicadas na agricultura, principalmente, na cultura de arroz. Lagoas : as principais são Cedro, com área aproximada de 1800 000 metros quadrados, Cotinguiba, também muito grande, e mais 5 pequenas, todas elas utilizadas na cultura do arroz. Morros do Chave e do Urubu.

Riquezas Naturais

De origem mineral conta o município entre os seus recursos: barro ou argila, utilizado na construção civil e no fabrico de telhas e tijolos. De origem vegetal, extraem-se madeiras para cêrcas e lenha de fogão e ainda castanha de caju. Mel e cêra de abelhas e pescados são os produtos de origem animal que contribuem para a economia. A produção das riquezas naturais exploradas, destacando-se entre os produtos, o pescado.

III – Vultos Ilustres de Propriá

Dr. José Rodrigues da Costa Dória – o Nasceu a 25 de Junho de 1859, Doutor em Medicina, professor catedrático de Medicina Legal, posteriormente catedrático da cadeira de Botânica Zoologia Médicas. Conselheiro Municipal da Capital baiana. Deputado federal por Sergipe em quatro legislaturas. Presidente do Estado de Sergipe de 1908 a 1911. Membro correspondente da Academia Nacional de Medicina, mais uma vez deputado federal de 1918 a 1920. Faleceu há poucos anos em Salvador - Bahia, deixando avultada bagagem literária.

D. Antônio dos Santos Cabral – Nasceu a 8 de outubro de 1884, ordenou-se sacerdote no Seminário da Bahia, foi vigário de sua terra natal, Bispo de Natal- Rio Grande do Norte e foi Arcebispo de Belo Horizonte.

Bacharel Luiz José da Costa Filho – Nasceu a 3 de outubro d 1886, bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, jornalista e poeta, foi deputado estadual. Possui alentada bagagem literária.

Monsenhor Marcolino Pacheco do Amaral – Nasceu a 2 de outubro de1845 e faleceu no Recife a 25 de Julho de 1913. Figura eminente e culta do clero brasileiro. Foi professor e reitor do Seminário de Olinda, jornalista que fundou e dirigiu "Tribuna Religiosa", órgão oficial da Diocese de Olinda. Como Vigário Capitular exerceu algumas vezes o governo da Diocese. Além de outros trabalhos, publicou "Compêndio de Teologia Moral", contendo 552 páginas, reeditado em 1889 e 1890.

Seixas Dória – Outro filho ilustre de Propriá que chegou ao Governo do Estado na década de 60.

João Fernandes de Britto (Doutor Britinho) – Jurista, historiador e poeta.

Pedro Chaves – Nascido em junho de 1900. Foi Prefeito de Propriá e Deputado, ergueu o obelisco em comemoração ao 150 de emancipação política da cidade. Foi o primeiro a dedicar uma praça no Brasil com o nome de Luiz Gonzaga que compôs uma música que fala sobre Propriá.

IV – Hino de Propriá
Letra e Música: Otávio Menezes

Propriá oh estrela formosa
Alcândor de lascivos madrigais
De Sergipe, é filha formosa
No cultivo de seus arrozais

O teu céu de manhãs cor de rosa
Faz de ti um eterno fanal
Te adoramos princesa famosa
Do amor e da paz catedral

Teu futuro feliz haverá de ser
Do passado ostenta a glória
Teu ela e trabalho, cultura e saber ------- (bis)
De lauréis, cobrirá tua história

Se do sol, tens calor permanente
Do luar, tens beleza e poesia
Tuas noites confundem agente
Quando é hora da Ave Maria

Se o teu São Francisco murmura
Sinfonia de sons magistrais
Teus barqueiros com alma e doçura
Vão cantando canções tropicais

Teu futuro feliz haverá de ser
Do passado ostenta a glória
Teu ela e trabalho, cultura e saber - - - ---(bis)
De lauréis, cobrirá tua história

Nota:

¹ Divisão geográfica que já não corresponde mais

Fonte: Portal Própria.com.br – Em: 17/07/2006

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