5 de out de 2010

Carlos Britto, uma bússola moral

O jurista sergipano Carlos Ayres Britto chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 2003, após mais de três décadas dedicadas ao direito - seja como procurador do Tribunal de Contas do Estado (TCE), seja como advogado de causas memoráveis, seja, enfim, como professor da Universidade Federal de Sergipe (UFS), onde formou gerações de brilhantes profissionais que sempre souberam reverenciar o mestre e nele reconhecer um exemplo a ser seguido, uma bússola moral a guiar aqueles que davam os primeiros passos em um terreno marcado pela competitividade e pela ambição desenfreada, que, não raro, contaminam consciências e pervertem caracteres.
Como ministro do STF, a atuação de Carlos Britto vem se notabilizando pela defesa intransigente dos direitos fundamentais da pessoa humana, da moralidade administrativa e pelo fortalecimento das instituições públicas. Coube a ele relatar, dentre outros processos, a ADPF que derrubou a antiquada Lei de Imprensa, a ADI que reconheceu a constitucionalidade da lei autorizadora das pesquisas com células-tronco e a ADI que proibiu o nepotismo no Poder Judiciário.
Demonstrando total independência em relação ao presidente que o nomeara, votou contrariamente aos interesses do braço direito de Lula e ex-ministro Chefe da Casa Civil, José Dirceu, nas demandas decorrentes do escândalo do mensalão petista. Como presidente do TSE, conduziu com denodo e transparência alguns processos que culminaram na cassação de governadores que se elegeram por meio do abuso de poder político e econômico.
Esta semana foi divulgado um vídeo no qual o então candidato ao governo do Distrito Federal, Joaquim Roriz, e o advogado Adriano Borges, genro do ministro Carlos Britto, negociam as condições e os valores dos honorários para que Borges o defenda no processo submetido ao STF, que decidirá se a Lei Ficha Limpa será aplicada às eleições deste ano.
O diálogo é sórdido e só vem a reforçar o estado deplorável em que se encontram nossas instituições. Nele, vê-se que Roriz, candidato "ficha suja" quer contratar Borges para que este lhe garanta o voto favorável de Carlos Britto. Borges, por sua vez, sabendo que isto é impossível pelas razões que todos nós conhecemos, promete-lhe o impedimento de Carlos Britto - que adviria naturalmente da sua contratação, dada a relação de parentesco entre advogado e ministro.
É impossível ao cidadão comum, escandalizado com os fatos ocorridos recentemente no Ministério da Casa Civil, não associar um fato ao outro, concluindo, erroneamente, que exista uma relação ilícita entre o ministro e seu genro. Afinal, este seria apenas mais um caso entre tantos ocorridos em nossa combalida República.
Mas é necessário separar o joio do trigo. E, nesse particular, Universo Político.com quebra a isenção necessária para declarar, em alto e bom som, que acredita na completa inocência do ministro Carlos Ayres Britto, ao mesmo tempo em que espera uma célere e cabal apuração dos fatos, a fim de que sejam responsabilizados todos aqueles que trocaram a ética por interesses escusos.
Ao tornar pública sua posição, é bom que fique bem claro, Universo Político.com tem plena consciência que não está a prestar favor algum ao ilustre magistrado. Da mesma forma, faz questão de enfatizar que não age movido por questões provincianas ou bairristas. A crença na inocência de Carlos Britto decorre, acima de tudo, da sua postura retilínea ao longo de toda a vida, do seu caráter idôneo e do seu valor como jurista e homem público.
Ademais, Universo Político.com jamais ofuscaria o orgulho de pautar-se na integridade moral de homens ímpares como Carlos Britto. Entendemos como algo fundamental para fazermos um jornalismo lúcido. Verdadeiramente voltado à cidadania, e em total sintonia com a verdade factual.
Fonte: Universo Político - Em: 02/10/2010

Um comentário:

Ronaldo disse...

Ayres de Brito é, de fato, um grande homem sergipano. Demonstrou isso no caso do genro dizendo que "ele respondesse por seus atos", a Folha de São Paulo e como relator da Ficha Limpa. Foi lúcido na esplanação, sábio com as palavras e conseguiu convencer uma boa parte dos ministros. Até o momento, é uma das pessoas que admiro neste pais.

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