1 de dez de 2009

Claudomir Tavares: “Educação Patrimonial pelas ruas de Propriá”

O Projeto ‘Revistando Propriá’ (21/11) encerra o nosso elenco de atividades que vão além da sala de aula
Por Renner Alves | comventhus@hotmail.com | Foto: Marcelo Góis


Dentro do Projeto de Educação Patrimonial iniciado em 2004 no Colégio Estadual Joana de Freitas Barbosa, o professor Claudomir Tavares, das disciplinas História, e Cultura Sergipana, além de Sociologia e Filosofia da Educação, promove a Aula de Campo “Revisitando Propriá”, projeto de Educação Patrimonial, que pretende levar ao Sítio Histórico da Princesinha do São Francisco estudantes do Ensino Médio. “A Aula de Campo está marcada para o dia 21 de Novembro, quando a partir das 07h30min nos encontraremos na Catedral Diocesana, de onde iniciaremos a atividade de visitação”, disse o professor.

Nesta entrevista concedida ao Blog ‘Engenho de Notícias’, transcrita pela Tribuna da Praia e Site Claudomir.com.br, ele fala do Projeto de Educação Patrimonial, da Visita que fará ao Sítio Histórico de Propriá, faz um balanço dos projetos desenvolvidos em 2009, daqueles previstos para 2010 e de suas impressões sobre a cidade de Piranhas, visitada recentemente.

TRIBUNA DA PRAIA – Em que consiste este Projeto de Educação Patrimonial?
CLAUDOMIR TAVARES – Tudo teve início em Pirambu e promovemos estas atividades nas escolas que trabalhamos, como José Amaral Lemos (rede estadual de Pirambu), Silvino Antônio Araújo (povoado Aguilhadas, em Pirambu), Odete Pereira de Santana (povoado Marimbondo em Pirambu) e Mário Trindade Cruz (sede de Pirambu). Alí, conduzimos estudantes, em aulas interdisciplinares, a várias localidades, como São Cristóvão e Laranjeiras, Baixo São Francisco, Xingó, povoados e Sítio Histórico de Pirambu. A partir de 2004, como professor de Sociedade & Cultura Sergipana no Colégio Estadual ‘Joana de Freitas Barbosa’, iniciamos este projeto, visitando Xingó, Laranjeiras e o Sítio Histórico de Propriá. Este ano retomamos, através do Projeto “Xingó: uma aventura interdisciplinar no Sertão”, realizada em parceria com o professor Marcelo José Góis Ribeiro, da disciplina Geografia. As visitas consistem em, observando os artefatos, as transformações operadas com a mão humana, encontrarmos nossa identidade, se possível, contribuindo para preservar o patrimônio cultural. Em 2005 apresentamos o resultado desta experiência em João Pessoa, durante o II Colóquio Internacional de Políticas Públicas e Práticas Curriculares.

TRIBUNA – Como você descreve a Excursão Pedagógica realizada recentemente a Xingó?
CT – A Excursão aconteceu no 28 de Outubro de 2009, quando estudantes dos 3º Seriados A, B, C (Vespertino – Tarde), D, E e F (Noturno), embarcaram em uma viagem fantástica a Xingó (Canindé do São Francisco/SE e Piranhas/AL). Eles foram conduzidos pelos professores Claudomir Tavares (História e Cultura Sergipana) e Marcelo José Góis Ribeiro (Geografia). Denominado “Xingó: Uma viagem interdisciplinar no Sertão”, a excursão pedagógica constou de visita ao Sítio Histórico de Piranhas – Patrimônio Histórico Nacional, Museu do Sertão, Mirante do Século XX, Mirante da Chesf e Usina Hidro Elétrica de Xingó (Piranhas/AL) e Museu de Arqueologia de Xingó (Canindé do São Francisco/SE). O Projeto “Xingó” foi idealizado em 2004, reeditado em 2006 e retomado em 2009, sempre executado de forma interdisciplinar, sendo contemplado ao longo destas etapas as disciplinas Sociedade & Cultura, Inglês, Geografia, Física, Química, Português, Geografia, História e Cultura Sergipana. Da primeira etapa participaram os professores Claudomir (Sociedade & Cultura), Fabíola (Inglês) e Gileninho (Geografia). Na segunda participaram os professores Claudomir (Cultura Sergipana), Fabíola (Inglês), Geovani (Química), Prazeres (Português) e Cezar (Física). Nesta última etapa, o projeto foi encaminhado pelos professores Claudomir (História e Cultura Sergipana) e Marcelo (Geografia).

TP –Qual a sua impressão sobre a cidade de Piranhas?
CT – Piranhas é um patrimônio do povo brasileiro. Desperta o sentimento, a curiosidade e a paixão de todos nós, que visitamos a região de Xingó desde 1999, ainda quando estudante de História na UFS (foi uma espécie de amor a primeira vista). Está em nosso roteiro de estudo do Patrimônio Cultural desde 2006, quando visitamos a cidade Histórica pela primeira vez, conduzindo estudantes da Escola Mário Trindade Cruz (Pirambu) e de Colégio Estadual Joana de Freitas Barbosa (Propriá). Somos testemunhos do zelo, do compromisso com a memória e a sua história, uma referência para o estudo do Brasil Colonial e Imperial, do Cangaço, e maios recentemente palco de lutas em defesa do Rio São Francisco. A cidade tem sorte de contar com as presenças de políticos cuja responsabilidade política, social e cultural é marcada pela seriedade, ética, competência, zelo, sintonia com as exigências históricas e imediatas da Lapinha do Sertão, como foi o caso do ex-prefeito Dr. Inácio de Loyola (2001/2008) e a atual prefeita, a jovem Mellyna Freitas (eleita em 2008). Parabéns a todo o povo piranhense pelo zelo carinho que tem despertado, pela sensibilidade em preservar um patrimônio, que tem consciência de pertencer a vocês, ao povo de Alagoas e ao povo brasileiro por extensão.

TP – O que seria o Sítio Histórico de Propriá e como será a visita que fará em 21 de Novembro?
CT – O Sítio Histórico é o centro da cidade, ou o local que reúne o mais representativo conjunto do núcleo que deu origem a cidade ou que seu acervo arquitetônico representa um re-encontro com o passado da cidade. Pretendemos fazer com que a Educação Patrimonial invada as ruas de Propriá. A Aula de Campo está marcada para às 07h30min do dia 21 de Novembro, em frente a Catedral Diocesana de Propriá. Depois de efetuar a primeira chamada, para apurarmos quem está presente, faremos uma descrição histórica de cada monumento, como Catedral, Casarão da Rua da Palma, Hotel Imperial, Casa Imperial, Colégio Estadual João Fernandes de Britto, Coreto, Prédio da Codevasf, Câmara Municipal, entre outros, registrando sua importância ontem e a função social do presente. Dalí seguiremos pelo Beco do Taboão, Praça da Estrela, parando em frente ao antigo ‘Cavaleiros da Noite’, nos dirigindo em seguida para o Mirante da Orla (podendo este ser o nosso ponto de encontro, o que confirmaremos na próxima semana). Dalí, seguiremos pelo Casario da Avenida Augusto Maynard (Rua da Frente), 12 Tênis Clube, Viaduto Dom Távora, Tiro de Guerra, culminando na Igreja do Rosário.

TP – Que turmas serão incluídas?
CT – A nossa preocupação não é reunir quantidade de alunos, mas representatividade. A princípio estamos convidando a participar estudantes dos 1º Seriados E, F e G (Sociologia) e 3º Seriados D, E e F (Cultura Sergipana). Em um segundo momento, levaremos os estudantes dos 3º Seriados A, B e C (História) e 4º Normal A, B e C (Filosofia da Educação). Não obrigaremos a presença de nenhum deles, mas abriremos um procedimento de inscrição prévia, para saber quantos estudantes colocaremos nas ruas de Propriá.

TP – Como serão avaliados os participantes?
CT – Nós já abolimos há alguns anos o expediente da prova como instrumento de avaliação, por entendermos que ‘prova não prova nada’. Nossas avaliações consistem em intervenção nos debates, assiduidade e pontualidade resolução de exercícios, apresentação de seminários, aulas de campo com apresentação de relatórios, entre outros componentes de aferição da aprendizagem. Acreditamos como Luckesi que a avaliação é um processo, e assim avaliamos de forma ampla a avaliação. Esta Aula de Campo é parte integrante do que temos aplicado, através de aulas dialogadas nas salas de aulas da instituição, e assim faremos como forma de incluí-los, no estudo do patrimônio cultural, que como descreveu Hugues De Varine Bohan,incluem os elementos da natureza e meio ambiente, o conhecimento, as técnicas, o saber, o saber fazer e toda produção humana (objetos, artefatos e construções).

TP – Existe ainda algum projeto engatilhado para 2009?
CT – Não! Este ano já nos damos por satisfeitos. Foi o ano do nosso retorno ao Colégio Estadual Joana de Freitas Barbosa, desde nossa remoção, a nosso pedido, para Pirambu em abril de 2007. Já promovemos a Excursão Pedagógica a ‘Xingó: uma aventura interdisciplinar no Sertão’ (28/05) e o Debate ‘A Ditadura Militar em Propriá’, feita pelo historiador José Alberto Amorim (05/11). O Projeto ‘Revistando Propriá’ (dividido em duas etapas, sendo a primeira em 21/11)) encerra o nosso elenco de atividades que vão além da sala de aula.

TP – E quais são os planos para 2010?
CT - 2010 é o ano que marca os 30 anos de aniversário do Colégio Estadual Joana de Freitas Barbosa, escola que é a maior e mais representativa do Baixo São Francisco, referência em educação em Sergipe. Tudo que fizermos, será dentro de um projeto mais amplo, pois somos defensor de um projeto de escola, não uma escola de projeto. Assim, apresentaremos quando do Planejamento Pedagógico de 2010, uma proposta que reúna as iniciativas em Educação patrimonial, para que juntos, os vários professores e disciplinas, possam pensar uma ação, ou conjunto de ações coletivas.

Publicada na TRIBUNA DA PRAIA em 13/11/2009

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