19 de dez de 2009

Seminário do XIX Culturarte discutiu questões da Juventude

Estudantes do Amaral Lemos garantiram o público do Culturarte
Por Claudomir Tavares | claudomir@infonet.com.br



Aconteceu na tarde de ontem no Clubinho da Tartaruga o 14° Seminário “Cultura & Meio Ambiente”. Este ano ao tema escolhido pela organização do 19° Culturarte, acatando sugestão da professora Tereza Cariri, diretora do Colégio Estadual “José Amaral Lemos” foi “Juventude e Emprego: Problemas e Perspectivas”. Com uma dinâmica aberta, dialogada, o seminário evoluiu para oficinas, transcendendo as propostas iniciais, discutindo temas como comportamento, cultura, sexo, drogas, enfim, temas que estão na ordem do dia da juventude. O Seminário teve como facilitador o advogado e educador social José Humberto de Goes, com vasta experiência em trabalho com crianças de ruas e em direitos humanos. Presente ao seminário dezenas de estudantes do Colégio Estadual José Amaral Lemos, conduzidos pela professora Maria Izabel do Carmo (Tia Bel), patrimônio do povo de Pirambu, coordenadora pedagógica daquela instituição.

“Eu não sei se a gente atingiu os objetivos e na verdade eu não sei quais foram os objetivos quando a gente pesou nele (o tema). Humberto me deu uma luz, e ele construiu esta fala hoje comigo”, avalaiou Jamyle, coordenadora de educação ambiental do Projeto Tamar/ICMBio. “O que a gente quer não é trazer respostas, é perguntas, porque é na pergunta, na dúvida, encontramos respostas: eu vou, não vou”, completa ela. “Cada um tem uma individualidade, uma experiência, cabe a gente estimular. A realidade é dura, a vida é Maria. “Espero que vocês repassem isso, e que comecem a construir um novo caminho, não um caminho da mesmice, vê que todo mundo tem potencial, o que importa é o que está dentro de vocês”, finalizou.

Presente ao seminário, o professor e cordelista Agnaldo Silva disse que espera que “estes questionamentos, estes anseios que foram apresentados possam levar ao jovem a massificar essa coisa da identidade, procurar se identificar com este espaço. Este espaço do Seminário do Culturarte é um espaço de massificação num bom sentido, ano sentido de levar o jovem a conhecer sua cultura, a se identificar como membro dessa comunidade e defender isso aqui e em qualquer lugar, pois durante algum tempo houve uma viagem negativa, quando Pirambu se tornou a capital do brega, do axé, isso queimou um pouco o que temos de cultura popular, o que temos de identidade na nossa comunidade”, registrou.

O facilitador José Humberto de Goes disse que “seminários como estes são extremamente importantes para dialogar com os jovens de cidades menores, que até negam ou desconhecem sua própria existência cultural, em favor de culturas outras, que estão relacionadas a cultura de massa, uma cultura de consumo e que acaba impedindo estes mesmos jovens de se perceberem atores até mesmo de construção desse processo histórico”, afirmou. Ao invés de uma palestra, Humberto fez opção por uma exposição dialogada. Segundo ele, fez esta opção se deu pela sua própria formação como educador social. “Pela minha formação de educador de jovens e adultos, pela militância no movimento de direitos humanos que me permite estar o tempo inteiro dialogando, mas sobretudo pela formação freiriana que possuo, pela relação com o grande teórico Paulo Freire que entende que a gente tem compreensões para construir, que elas podem e devem ser construídas em conjunto, nunca de fora prá dentro, sobretudo porque não vivo em Pirambu, não vivencio a realidade de Pirambu, embora em muitos aspectos elas tem algo parecido com a minha, mas não posso falar para Pirambu de uma realidade que é dela”, acrescentou.

Sobre a impressão causada pela participação do público, ele disse que gostou “muito da participação dos adolescentes, dos jovens, que em muitos momentos eu achava que eles iam estar mais tímidos para falar de certas coisas e ao contrário disso eles estiveram muito atuantes, muito ativos protagonicamente neste processo e aí fluiu fantasticamente a oficina, por isso eu chamo de oficina, não de palestra, porque foi um momento em que fluiu até diante da das proibições, das negações, apesar dos temores, muitas vezes da auto-estima baixa que esta massificação e os impedimentos vão lhe proporcionando, eles acabaram construindo este momento de hoje”, finalizou.

O Seminário ‘Cultura e Meio Ambiente’ acontece de forma ininterrupta desde 1996, constituindo-se em um fórum de debate sobre temas relacionados a esta vertente e tem sido um momento privilegiado para que professores, estudantes, artistas e intelectuais de nossa cidade reflitam sobre o que temos e o que podemos fazer.

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