22 de jul de 2010

Bispo católico aos fiéis: ‘Não dêem seu voto a Dilma’

Diocese de Guarulhos leva artigo anti-PT a página na web
Por Josias de Souza

“Recomendamos a todos os verdadeiros cristãos e verdadeiros católicos a que não dêem seu voto à senhora Dilma Rousseff...”

A frase consta de um artigo veiculado em página oficial da Igreja Católica na web. O autor é Dom Luiz Gonzaga Bergonzini.

Ele é titular da Diocese de Guarulhos, em São Paulo. Pendurou o texto no sítio mantido por sua prelazia.

Traz no título uma citação de Jesus: “Dai a Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus”.

Foi com essa frase, ensina o bispo Bergonzini, que o Cristo “definiu bem a autonomia e o respeito que deve haver entre a política (Cesar) e a religião (Deus)”.

Faz parte da missão da Igreja, continua o bispo, “zelar para que o que é de ‘Deus’ não seja manipulado ou usurpado por ‘César’ e vice-versa”.

Pois bem. Na opinião do bispo de Guarulhos, o PT usurpa o que é divino ao se posicionar, “pública e abertamente a favor da legalização do aborto”.

Para Dom Bergonzini, o partido de Dilma atenta “contra os valores da família e contra a liberdade de consciência”.

O bispo recorda também que, no seu 3º Congresso, realizado em fevereiro, o PT “ratificou o Plano Nacional de Direitos Humanos, de cujo teor discorda.

Ele repisa: “A liberação do aborto, que vem sendo discutida e aprovada por alguns políticos, não pode ser aceita por quem se diz cristão ou católico”.

No parágrafo seguinte, faz a exortação aos fiéis:

Isto posto, recomendamos a todos os verdadeiros cristãos e verdadeiros católicos a que não dêem seu voto à senhora Dilma Rousseff”.

Estende o conselho aos “demais candidatos que aprovam tais ‘liberações’, independentemente do partido a que pertençam”.

Não cita, porém, o nome de nenhum outro candidato. Nada de José Serra. Tampouco a evangélica Marina Silva é mencionada.

Em entrevista à TV Brasil, nesta quarta (21), Dilma foi instada a dizer o que pensa do aborto. Disse que é uma questão de “saúde pública”.

Lembrou que algumas mulheres, sobretudo as mais pobres, são compelidas a recorre a métodos abortivos pouco seguros.

A investida do bispo de Guarulhos chega num instante em que Dilma se prepara para receber, neste sábado (24), o apoio de representantes de 15 igrejas evangélicas.

No último final de semana, o vice da chapa de José Serra, Índio da Costa (DEM-RJ) já havia enveredado pela seara religiosa.

Índio chamara Dilma de “ateia”. Referira-se a ela como “esfinge do pau oco”. Nos processos que move contra ele, o PT inclui essas declarações no rol das injúrias e difamações.

Bem antes da campanha, numa sabatina promovida pela Folha em 2007, Dilma fizera o seguinte comentário sobre a existência de Deus:

"Eu me equilibro nessa questão. Será que há? Será que não há?".

Hoje, ela se declara católica. Assim como o vice Índio, o bispo Bergonzini não parece dar-lhe crédito.

A voz da Igreja Católica/Palavra do Pastor - Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus

Com esta frase Jesus definiu bem a autonomia e o respeito, que deve haver entre a política (César) e a religião (Deus). Por isto a Igreja não se posiciona nem faz campanha a favor de nenhum partido ou candidato, mas faz parte da sua missão zelar para que o que é de “Deus” não seja manipulado ou usurpado por “César” e vice-versa.

Quando acontece essa usurpação ou manipulação é dever da Igreja intervir convidando a não votar em partido ou candidato que torne perigosa a liberdade religiosa e de consciência ou desrespeito à vida humana e aos valores da família, pois tudo isso é de Deus e não de César. Vice-versa extrapola da missão da Igreja querer dominar ou substituir- se ao estado, pois neste caso ela estaria usurpando o que é de César e não de Deus.

Já na campanha eleitoral de 1996, denunciei um candidato que ofendeu pública e comprovadamente a Igreja, pois esta atitude foi uma usurpação por parte de César daquilo que é de Deus, ou seja o respeito à liberdade religiosa.

Na atual conjuntura política o Partido dos Trabalhadores (PT) através de seu IIIº e IVº Congressos Nacionais (2007 e 2010 respectivamente), ratificando o 3º Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH3) através da punição dos deputados Luiz Bassuma e Henrique Afonso, por serem defensores da vida, se posicionou pública e abertamente a favor da legalização do aborto, contra os valores da família e contra a liberdade de consciência.

Na condição de Bispo Diocesano, como r e s p o n s á v e l pela defesa da fé, da moral e dos princípios fundamentais da lei natural que - por serem naturais procedem do próprio Deus e por isso atingem a todos os homens -, denunciamos e condenamos como contrárias às leis de Deus todas as formas de atentado contra a vida, dom de Deus,como o suicídio, o homicídio assim como o aborto pelo qual, criminosa e covardemente, tira-se a vida de um ser humano, completamente incapaz de se defender. A liberação do aborto que vem sendo discutida e aprovada por alguns políticos não pode ser aceita por quem se diz cristão ou católico. Já afirmamos muitas vezes e agora repetimos: não temos partido político, mas não podemos deixar de condenar a legalização do aborto. (confira-se Ex. 20,13; MT 5,21).

Isto posto, recomendamos a todos verdadeiros cristãos e verdadeiros católicos a que não dêem seu voto à Senhora Dilma Rousseff e demais candidatos que aprovam tais “liberações”, independentemente do partido a que pertençam.

Evangelizar é nossa responsabilidade, o que implica anunciar a verdade e denunciar o erro, procurando, dentro desses princípios, o melhor para o Brasil e nossos irmãos brasileiros e não é contrariando o Evangelho que podemos contar com as bênçãos de Deus e proteção de nossa Mãe e Padroeira, a Imaculada Conceição.

D. Luiz Gonzaga Bergonzini
Bispo de Guarulhos

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