9 de jan de 2010

NOTA DE (quem busca) ESCLARECIMENTO



Talvez impregnado pela sensação, nem sempre real – é verdade, de ser um gestor que procura fazer a “coisa certa”, ou que, pelo menos, pensa que faz esta busca, confesso ter ficado envolto num misto de surpresa, desencanto, decepção, ou, no mínimo com o espírito inquieto, quando ao ler a última edição do Jornal Cinform, datado de 04 a 10 de janeiro do presente ano, tomei conhecimento da vergonhosa nota (1,7) que teria sido dada pelos professores da rede municipal de Propriá à minha gestão na educação pública e que coloca o meu município e a mim próprio, forçados a carregar nos ombros, junto à minha comunidade e, por extensão, a todo Sergipe, a negativa pecha de nada, ou, quando muito, pouco fazer, em uma área tão importante!

Dando vazão ao gestor responsável que sei que sou, entrei no site do SINTESE para, quem sabe, encontrar as respostas que justificassem o meu insucesso – talvez navegando encontrasse mares menos revoltos -, e então me deparei com um artigo escrito pelo próprio sindicato o qual desenvolvia um raciocínio para justificar, ou pelo menos explicar, o porquê das notas tão baixas recebidas pelo Estado de Sergipe e pela maioria esmagadora de seus municípios. No artigo são levantadas hipóteses como:

- A não implantação do piso salarial ou, para os municípios que o implantaram, a forma tensa das negociações e ou a retirada de outros direitos conquistados, teria contribuído para as notas baixas – não é o caso de Propriá que desde janeiro do ano passado, que implantou o piso que entendia justo e logo depois, em fevereiro, implantou, na integralidade, o piso negociado pelo Sintese. As negociações foram absolutamente tranqüilas (como sempre foram em nossa gestão) e não houve qualquer perda de direitos dos professores quanto a sua progressão funcional ou outros ganhos.

- A não implantação da Gestão Democrática teria contribuído para as notas baixas – não é o caso de Propriá que enviou (e aprovou) para a Câmara de Vereadores uma proposta de Lei, totalmente acordada com o Sintese e que só não foi aprovada na primeira reunião do legislativo em virtude dos próprios professores terem solicitado dos Edis que buscassem melhores esclarecimentos por parte do seu sindicato.

- A situação física das escolas teria influído negativamente para a obtenção de boas notas – não é o caso de Propriá, que apesar de ter uma rede escolar antiga e desadequada para o ensino que todos julgamos ideal, todas as escolas recentemente sofreram intervenções em seu estado físico com ampliação, pintura e outras benfeitorias.

Mesmo não fazendo parte do artigo a que estamos nos referindo, passei a buscar outras justificativas que minorassem a minha angústia:

- Atraso salarial, certamente contribuiria para uma nota baixa – não é o caso de Propriá que sempre pagou os salários de TODOS os servidores rigorosamente “em dia” e mesmo 2009 sendo considerado um ano de crise, em novembro o 13º já tinha sido pago na integralidade e em 17 de dezembro não havia qualquer débito salarial com os funcionários públicos municipais, aí incluídos, óbvio, os queridos professores.

- Certamente, uma relação conflituosa com um sindicato representativo de qualquer categoria poderia contribuir para uma baixa nota – não é o caso de Propriá onde sempre houve um respeito bilateral entre a gestão municipal e o Sintese, não por obrigação, benesse, medo, favorecimento, peleguismo, ou qualquer coisa que o valha, mas por, unicamente, reconhecimento da seriedade com que ambas as partes cuidam do seu “cada qual”.

- Um comando na Secretaria de Educação que, por maus tratos, incompreensão, incompetência, ou por qualquer outro motivo não menos reprovável, desagradasse o grosso dos professores, certamente contribuiria para uma nota baixa – não é o caso de Propriá, já que antes de escolhermos a atual secretária de Educação tivemos o cuidado de nomear uma pessoa que preenchesse as expectativas da comunidade escolar (estudantes, pais de alunos e servidores) e do próprio Sintese local. Bela indicação que, por mim aceita, se mostrou muito mais do que poderia esperar. Nossa secretária, além de afetuosa, é competente e compromissada.

- Um jeito não apadrinhador e não populista de gerir a coisa pública poderia influir para que eu tivesse uma baixa nota – pode ser o caso de Propriá afinal, tirando o “estúpido”, parodiando Roberto Carlos “eu sei que eu tenho um jeito meio PRAGMÁTICO de ser e – em nome da transparência e responsabilidade da gestão - de dizer coisas que podem machucar e ofender...”

No universo de 74 municípios pesquisados, a posição de 61º colocado não me saía da cabeça. Sabe aquela sensação de injustiçado? Está soprando na minha nuca!

Continuei navegando e quase naufrago quando percebi que fiquei atrás de 80% dos municípios que não implantaram o piso; fiquei atrás de 99% dos municípios que continuaram a não implantar a Gestão Democrática; fiquei atrás de 100% dos municípios que tiveram uma negociação conflituosa; e mais pasmo fiquei quando percebi que estava atrás de vários municípios que estão em atraso salarial.

Como para mim navegar não é necessariamente preciso e o artigo do site do Sintese não me trouxe respostas e sim mais e mais dúvidas, dividi a responsabilidade da busca do porquê, ou porquês, com a minha secretária de Educação e determinei que a mesma procurasse compreender como foi feita em Propriá a “PROVA FINAL – EDUCAÇÃO PÚBLICA”. Foi aí a grande surpresa.

As informações colhidas atestam que o processo de coleta de notas não obedeceu em nada ao determinado pelo Sintese. Das 11 (onze) escolas municipais, só foram pesquisadas 02 (duas), assim mesmo em um único horário dos três existentes e sem a presença de urnas. Vários votos foram coletados no meio da rua e em fila de bancos, existindo, inclusive, uma insatisfação geral no seio dos professores, pelo resultado final obtido.

Necessitamos de esclarecimentos e para tal estamos encaminhando ofício ao Sintese para que possamos compreender como se conduziu todo o processo de coleta de notas, atestar a sua veracidade e lisura, tomar conhecimento em quais itens que foram pesquisados estamos falhando, para que assim possamos, com tranqüilidade, buscar melhorar os nossos prováveis equívocos na gestão da educação pública de minha cidade.

Quem sabe assim, no resultado da próxima Prova Final, estaremos menos surpresos, desencantados, decepcionados ou, no mínimo com o espírito menos inquieto. Quem sabe no próximo ano estejamos realmente impregnados pela sensação real de ser um gestor que procura fazer a “coisa certa”.

Paulo Britto
PREFEITO DE PROPRIÁ

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