24 de mai de 2008

Uma lição de democracia

Por Carlos Magno *

Este artigo não tem a pretensão de ser longo. Primeiro, porque ninguém vai ler, se não começar e acabar de forma dramática. Acabo de decepar uma das falanges com uma machadinha para dar um caráter sinistro a esse desabafo político-cultural. E também para reparar os equívocos cometidos com o meu sagrado escrutínio. Votei em Lula, nas últimas eleições, mas desse pecado sinto-me redimido e aliviado depois de me submeter as 80 chibatadas recomendadas pelo Islã. Nem senti, e, para dizer a verdade, cada uma foi merecida e compensadas com um salutar banho de sal grosso no meu lombo ensangüentado. Nesse erro eu não incorro, mesmo com os mensalões e as gastanças dos cartões corporativos, nesse erro nunca mais, ai!


Mas o pior veio nas ultimas eleições, quando me deixei levar pela lorota das mudanças prometidas com ar solene pelo Sr. Marcelo Déda. Cansado dos governos elitistas e de direita que no seu bojo trazia o que havia de mais retrógrado, embarquei na ilusão das promessas desse empedernido político. Após um ano e meio de governo, nota-se que tudo não passou de uma grande burrice de minha parte, afinal sou um cara inteligente e tenho mesmo é que votar em gente confiável e não em aventureiros sem o menor preparo para lidar com a coisa pública. Discurso não enche barriga de ninguém. Pelo contrário, enche o saco.

Penso agora numa forma eficiente de reparar esse erro, 80 chibatadas é muito pouco para apaziguar meu coração. Sonho apenas com uma nova eleição para poder dar o troco a essa gente cujo sectarismo impera. Estou cansado de ver essa turma jactar-se de anti-autoritários, chega de demagogia.

Na verdade eu não sabia em quem estava votando, porém, ao ver a cara e as práticas do secretariado do atual governo, foi que caí na real. Elegi para a Casa Civil a eminência parda Oliveira Junior, para vê-lo desfilar arrotando grandeza. Votei em Augusto Gama, um secretário que está extinguindo o Turismo em Sergipe. Votei em Kércio Pinto e detonei a minha Segurança Pública. A minha Saúde vai mal com Rogério Carvalho que desdenha da minha dengue hemorrágica. A minha Cultura foi parar nas mãos de um Chaplim acima do peso. E na minha Inclusão Social, perdi espaço para os Quilombolas. E para a Comunicação Social votei (será que eu fiz uma sacanagem dessas comigo?) na Eloísa Galdino, incomunicável. Mandei um verdadeiro atleta cuidar do meu Esporte e Lazer. Elegi Nilson Lima para cuidar com sovinice do meu (nosso) dinheiro. De quebra elegi Bosco Mendonça para complicar meu Transporte. Coloquei na Educação um reitor que paga merenda adiantado. Acomodei um apático Jorge Alberto na Administração e Bosco Costa onde mesmo? Proclamei Márcio Macedo um animal em extinção. Indiquei o vice Benedito Figueiredo como titular, um quase-desembargador, que dor! Coloquei na Defensoria um batalhador cujo expediente inicia-se as 11:30 e se encerra ao meio dia. Dei Trabalho a Renatinho.

Elegi a falência da Indústria, a quebra do Comércio e o fim da Tecnologia. Votei em Lúcia Falcon que não enxerga um palmo adiante da narina, isso não estava nos meus planos. Elegi outros que nem vale a pena citar. Mandei Paulo Viana plantar batatas. Para a presidência do Banese, coloquei João Andrade com seu nariz em pé e seu ódio visceral e no Detran emplaquei um chefe que invade sinais e no Deso, deixa pra lá. Para que não reclamem, botei um ouvidor de ouvido môco. Para finalizar, premiei toda sorte de bicho grilo intelectualóide com polpudos CCs. Será que eu esqueci de alguém que por vicissitude também votei?

Eleição é o exercício pleno da democracia e cipó no lombo - a recompensa dos tolos - por isso, tenho queimado pestanas pesquisando no google uma forma de tortura que repare esse meu pequeno equívoco. Os castigos parecem insignificantes diante de tamanha asneira. A votar nessa laia é preferível levar chumbo quente nos cornos.
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* Carlos Magno é jornalista e editor do Jornal Papagaio

Fonte: CNotícias – Em: 23/05/2008

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