15 de set de 2010

ZÉ NILTON: O Novo já nasce Velho!

Prefeito precisa urgentemente rever conceito de sua administração, sob pena de não encontrar fôlego para concluir o mandato que já agoniza antes de concluir a sua primeira metada
Por Claudomir Tavares * | claudomir@tribunadapraia.net
 
Aos desavisados, informamos antecipadamente que escreve esta contribuição despida totalmente de qualquer rançou ou outro sentimento que não seja de um cidadão que, ainda na condição de oposição, sempre nutriu pelo atual prefeito o respeito que o cidadão merece e a grandeza do cargo que ocupa representa. Mantenho com o prefeito Zé Nilton uma relação respeitosa pautada nos princípios ensinados pela minha saudosa mão, dona Edimê Tavares e pelo meu pai, Francisco Pereira da Silva, cujo caráter ilibado eu não faria qualquer reparo. Assim, faremos uma rápida reflexão sobre o comportamento da suas palavras e ações.

Dentro de uma linha de não entrar nos detalhes dos dramas pessoais pelos quais tem passado o cidadão José Nilton de Souza (PMDB), ele deve manter o equilíbrio necessário para que não deixar respingar máculas sobre uma administração que havia se comprometido romper com uma seqüência desabonadora para nosso município e que levou o nome de Pirambu, de forma negativa, as manchetes dos jornais de Sergipe e do Brasil. O atual prefeito se comprometeu a fazer diferente e a população de Pirambu acreditou que o faria. Durante todo este tempo demos todo o tempo ao prefeito para que ele provasse isso, mas não tem se empenhado.

Ocorre que, ao assumir a administração, e ainda em seus pronunciamentos, todos eles fartamente documentados por este portal que nunca lhe negou espaço, afirmou peremptoriamente que poderia “desagradar os aliados, mas jamais a população de Pirambu”. Não tem sido isso que vem ocorrendo prefeito, e o senhor tem dado ouvidos aos seus principais conselheiros, entre os quais se inclui um “qualificado” que mal sabe lê e escrever e ocupa um cargo de destaque na estrutura de poder no município. Não declinamos do seu nome, pois nossa intenção não é achincalhar cidadão nenhum.

O prefeito José Nilton, que se intitula Doutor, sem nunca ter feito Doutorado, condição esta que lhe legitimaria a usar este adjetivo, ou que numa perspectiva cultural as pessoas chamam assim os médicos e advogados, ainda que estes possuam apenas a graduação, como é o caso do atual inquilino do Paço Municipal. Mas este é o mínimo diante dos impropérios proferidos no último dia 7 de setembro, respondendo a uma justa manifestação dos professores da rede municipal, que reivindicam que o gestor apenas cumpra o pagamento do Piso Salarial como determina a lei federal Nª 11.888/2008, que fixa em R$ 1.024,67 e não um valor menor!

Desqualificados X Picareta – Num gesto marcadamente pelo desequilíbrio, diferente daquele do habitual próprio do cidadão Zé Nilton que acreditávamos ser, ele classificou os professores da rede municipal de “desqualificados” e que “só pensam em seus bolsos”, pois “nenhum professor da rede municipal recebe menos que R$ 1.000,00 (um mil reais)”, conforme sua fala professada no Desfile de 7 de Setembro de 2010. Talvez o prefeito estivesse respondendo a uma expressão da mesma forma agressiva de um dirigente do SINTESE, professor Francisco que o qualificou de “picareta”, ato e gesto que fora condenado não só pelos professores quanto por este portal.

Prazo de Validade – Em todas as manifestações dos professores, agentes de saúde e salva-vidas, categorias que tem se mantido numa linha de enfrentamento legítimo a desastrosa política salarial do prefeito Zé Nilton, temos testemunhado o equilíbrio do funcionalismo municipal, estes os principais atores sociais da administração municipal, pois a passagem do atual grupo tem dia marcado para ser encerrado, ‘sepultado literalmente’, em 31 de dezembro de 2012, já estando com prazo de validade vencido, enquanto os professores ‘passarinho’, o prefeito e seu grupo ‘passarão’, pajeando o poeta, visto que estes continuarão.

O Novo já nasce velho – Para uma gestão que se pretendia moderna, dinâmica, democrática que faria o contraponto com a era André Moura, netralizando-a, esta tem se revelado, nas próprias palavras do deputado estadual André Moura (PSC), no “maior cabo eleitoral do pré-candidato a prefeito Elinho Martins em 2012”. Crentes desta possibilidade, do retorno dos Mouras ao comando do município, consoante levantamentos de todas as vertentes e correntes políticas, alguns segmentos políticos tem se manifestado no sentido de fincar uma resistência, possivelmente em torno da renovação do mandato do prefeito em 2012.

É o próprio prefeito que tem descartado esta possibilidade, ao renunciar ao seu projeto defendido em campanha, atestado em gravações de suas falas ou dos que falavam pelo então candidato, veiculados em carro de som há dois anos. Sua administração, com raras exceções, tem preservado o mesmo DNH dos seus antecessores, mantido as mesmas ‘moscas’ que viviam em torno do ‘bolo’ dos governos dos iguais, cada um em seu tempo, Marcos, César, Sílvia, André, Juarez, Moacir e Antônio e que continuam infestando a administração de Pirambu. “O novo já nasce velho”, conforme música do grupo ‘O Rappa’.

Professores valorizados – Enquanto o prefeito Zé Nilton insiste em desqualificar os professores da rede municipal, eis que uma escola deu no último sábado um exemplo de reconhecimento não só aos seus ex-professores, como aos ex-alunos, ex-funcionários, atores sociais que construíram a história gloriosa do Colégio Estadual José Amaral Lemos, berço cultural de Pirambu, atual pólo de resistência nos múltiplos aspectos: administrativo, pedagógico, docente e discente, cultural, esportivo, sendo atualmente a mais premiada escola da rede pública de Sergipe, pelos regulados obtidos dentro e fora dela.

* Claudomir Tavares (42) é professor concursado das redes municipal, estadual e do Pré-Uni/SEED. Graduado em História (UFS), com Aperfeiçoamento em Gestão de Recursos Hídricos (UFS) e Especialização em Gestão de Recursos Hídricos (UFS/em andamento) e Didática e Metodologia do Ensino Superior (Faculdade São Luís de França). Um ‘desqualificado’, segundo o meu querido ‘doutor’ Zé Nilton, que poderia ter um gesto de grandeza e pedir desculpas aqueles que como n[os fomos submetidos a concursos e meritosamente aprovados, diferente dos seus ‘conselheiros’!

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